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Delatores milionários também guardam dinheiro debaixo do colchão

BRASÍLIA - Milionários, com vários investimentos, donos de muitas empresas, mas, ainda assim, detentores de um hábito antigo: guardar dinheiro debaixo do colchão. As declarações de imposto de renda entregues aos investigadores pelos delatores da JBS - cujos depoimentos e provas atingiram em cheio a reputação do presidente Michel Temer e vários outros políticos - mostram que eles possuem grandes quantias em dinheiro vivo.

O empresário Wesley Batista, um dos donos do grupo J&F, controlador da JBS, declarou que possuía R$ 3,5 milhões em espécie em 31 de dezembro de 2015. Na declaração seguinte, o valor reduziu bastante, mas ainda era considerável: R$ 100 mil. A declaração mostra que seu patrimônio chegava a R$ 410 milhões em 2015, mais que triplicando no ano seguinte, quando passou a ser de R$ 1,47 bilhão.

Seu irmão, Joesley Batista, tinha R$ 5 milhões em espécie em 31 de dezembro de 2015. O documento que mostra os valores em 2016 está apagado em algumas partes e não é possível precisar quanto ele guardava, mas a cifra tem sete dígitos, ou seja, era superior a R$ 1 milhão. Também não é possível saber o total do patrimônio.

Além dos dois irmãos donos da J&F, cinco funcionários do grupo também firmaram acordo de delação. Ricardo Saud é um deles. O diretor da JBS relatou manter R$ 1 milhão em espécie em 2015, valor que caiu para zero no ano seguinte. A declaração dele detalha inclusive que o dinheiro era guardado numa caixa. O patrimônio de Saud aumentou de R$ 11,34 milhões em 2015 para R$ 13,29 milhões em 2016.

Florisvaldo Caetano de Oliveira, que fazia entregas de dinheiro a mando de Saud, declarou R$ 250 mil em espécie em 2015 e R$ 350 mil em 2016. Nesse intervalo de tempo, o patrimônio total dele passou de R$ 2,29 milhões para R$ 2,93 milhões. O também delator Demilton Antônio de Castro informou a Receita que possuía R$ 132.523 em 2015 e R$ 42.560 em 2016. O seu patrimônio passou de R$ 1,5 milhão para R$ 1,57 milhão.

Apenas dois dos sete delatores - Francisco de Assis e Silva e Valdir Aparecido Boni - não guardam dinheiro debaixo do colchão. O patrimônio de Francisco passou de R$ 7,56 milhões para R$ 9,83 milhões no período. O de Valdir cresceu de R$ 2,86 milhões para R$ 3,74 milhões.

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