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Delação leva advogado a deixar defesa de Lúcio Funaro

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BRASÍLIA - O advogado Cezar Bitencourt decidiu deixar a defesa do operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro, investigado por supostas ligações com o presidente Michel Temer e com o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O advogado resolveu se desvincular de Funaro porque o operador esta negociando acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Bitencourt entende que a iniciativa de de Funaro o coloca em conflito de interesse com outros clientes. O advogado é o principal responsável pela defesa de Rocha Loures, o ex-assessor de Temer, preso no último sábado, depois de ser acusado de receber propina da JBS em nome do presidente.

— Eu sou advogado em um dos casos dele, mas vou sair para evitar conflito de interesse - disse Bitencourt ao GLOBO.

Nas primeiras tratativas com o Ministério Público Federal, Funaro teria oferecido informações com potencial para turbinar as investigações sobre Loures e Temer. O nome do operador apareceu numa conversa entre o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, e Temer no porão do Palácio do Jaburu na noite de 7 de março, um encontro não registrado na agenda oficial. Na conversa, Batista disse que estava pagando mesadas a Funaro e Cunha para evitar que fizessem delação premiada. Depois de ouvir as confissões do empresário, o presidente respondeu : "tem que manter isso. Viu ?"

Funaro prometeu colaborar com as investigações da Lava-Jato e outras operações sobre corrupção logo depois de ser preso, quando ainda estava sendo transferido de São Paulo, onde morava, para um presídio em Brasília. Mas, num determinado momento, mudou de ideia e passou a dizer que não faria delação em hipótese alguma. Ele alegava inocência. Não teria nada para contar que fosse de interesse do Ministério Público Federal ou da Polícia Federal. Recentemente, depois das delações dos executivos da JBS, o operador entendeu que a posição anterior era insustentável e optou por buscar um acordo com os procuradores da Lava-Jato em Brasília.

Funaro teria prometido apresentar informações para confirmar e até ampliar parte das acusações formuladas pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, sobre corrupção no governo federal. Ao mesmo tempo, daria explicações diferentes e, em alguns casos, contrárias as versões dos irmãos Batista. Apesar da relevância das investigações sobre Temer e Loures, o início das conversas foi "difícil", segundo disse ao GLOBO uma fonte a par das tratativas. O Ministério Público estaria reticente. Os procuradores entendem que já têm provas suficientes nas investigações sobre Temer, Loures e os pagamentos de suborno da JBS. Para justificar uma colaboração, Funaro teria que ser mais específico e incisivo em eventuais revelações.

As delações da JBS, aliás, já resultaram em um segundo mandato de prisão preventiva contra o operador, expedido pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF. Num dos depoimentos da delação, Joesley Batista disse pagar mesada a Funaro para que ele se mantivesse em silêncio, ou seja, não fizesse denúncias comprometedoras contra o alto escalão do governo. A partir das revelações dos donos da JBS, a Polícia Federal prendeu Roberta Funaro, irmã do operador. Ela foi presa depois de receber uma mala com R$ 400 mil do executivo Ricardo Saud, um dos operadores da propina da JBS. A ação foi até filmada pela polícia.

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