BRASÍLIA - A crise mais aguda em um ano de governo Temer, motivada pela delação da JBS e que levou o Supremo Tribunal Federal a abrir inquérito contra o Presidente da República, não tomou conta apenas do noticiário nacional. A imprensa internacional de língua espanhola dedicou generosos espaços ao noticiário político do Brasil, aponta varredura feita, entre os dias 17 e 22 de maio, por uma empresa de coleta de informações na internet.
Nesse período, o levantamento da BigData Corp mostrou que foram publicadas mais de 11.900 reportagens citando o presidente Temer em publicações on-line de países que falam língua espanhola em todo o mundo. Cerca de 6% do total de notícias publicadas. Mais de um quarto dos textos (2.749) que citavam o presidente também tinham a palavra “corrupção”. Outros 1.828 retratavam “crise” e 1.644 mencionavam o termo “suborno”.
Para alcançar os dados, a empresa utilizou a capacidade de 10 mil servidores, que identificam as páginas roboticamente, selecionando os sites e deixando fora da pesquisa páginas consideradas blogs pessoais. Os dados são coletados apenas em sites abertos, que não exigem cadastros ou senhas de acesso.
— Foi a primeira vez que a gente viu uma concentração tão alta de notícias sobre o mesmo tema. Isso chamou muito a atenção — disse ao GLOBO o executivo da empresa Thoran Rodrigues.
A pesquisa também foi feita em sites e blogs de língua inglesa. Nesse caso, a crise política e Temer são citados em 120 notícias, num total de 588 reportagens. A incidência menor de textos sobre o tema em inglês se explica, segundo Rodrigues, pela situação do presidente Donald Trump, que no mesmo período também enfrentou uma crise e chegou a ter seu impeachment ventilado.
O resultado da pesquisa demonstra, na avaliação do executivo, o efeitvo prejudicial que a corrupção tem sobre a imagem do Brasil no exterior.
— Isso passa uma imagem de instabilidade. Temos muitos termos negativos relacionados ao Brasil. Se a gente desacartar os nomes das pessoas e das instituições, o que sobra são palavras como crise, escândalo, suborno, corrupção.
Essa imagem de instabilidade, segundo ele, é até maior do que a percepção dos brasileiros e mascara o quadro completo.
— Tem uma coisa que não sobressai, que nós que estamos aqui podemos avaliar. Por mais dolorosos e traumáticos que esses processos sejam, há também o lado positivo, porque é um processo que ajuda a combater a corrupção, que era endêmica no país. Essa visão positiva não passa para fora — argumenta.

