O advogado Paulo Amador Cunha Bueno, que defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), negou ao Supremo Tribunal Federal (STF) qualquer tentativa de obter informações sobre a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid ou de assumir a defesa do militar. Bueno confirmou que encontrou a mãe de Cid, Agnes Barbosa Cid, durante uma competição de hipismo em São Paulo, mas disse que a conversa foi “casual e breve”.
Segundo Bueno, o encontro ocorreu em agosto de 2023 e teria sido motivado por um agradecimento de Agnes, que o procurou para agradecer a ajuda na inscrição da neta na competição. O advogado afirmou que o diálogo se limitou a um cumprimento cordial e elogios ao desempenho da jovem. Ele destacou que não houve qualquer menção à delação e que o assunto ainda não estava homologado na época.
A declaração de Bueno foi enviada ao STF após o ministro Alexandre de Moraes determinar depoimentos de advogados ligados a Bolsonaro e do ex-assessor Fabio Wajngarten, por suspeita de tentativa de interferência no acordo de colaboração de Cid. O caso é investigado pela Polícia Federal no âmbito de um inquérito sobre possível obstrução de justiça.
Em manifestação ao Supremo, Bueno frisou que jamais buscou assumir a defesa do militar e classificou essa hipótese como “imoral e antiética”. Ele também reafirmou estar à disposição para prestar depoimento à Polícia Federal, ainda que tenha solicitado ser dispensado da obrigação de comparecer pessoalmente.

