Início Brasil Cunha deve ser investigado por tentar obstruir a Lava-Jato
Brasil

Cunha deve ser investigado por tentar obstruir a Lava-Jato

Envie
Envie

SÃO PAULO. Condenado a 15 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o ex-presidente da Câmara dos Deputados deve ser investigado pela força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba pela . A empresa inglesa de investigações foi contratada em 2015 para identificar e apurar movimentações financeiras no exterior de pessoas investigadas na Lava-Jato e foi contratada por mais de R$ 1 milhão, sem licitação, a pedido do presidente da CPI Hugo Motta (PMDB-PB).

Em sua delação premiada, o empresário Marcelo Odebrecht afirmou a tese de Cunha era que, se achasse contas no exterior dos dois primeiros delatores da Lava-Jato, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, era possível anular as investigações. Marcelo disse que foi numa reunião na casa de Cunha, em 11 de fevereiro de 2015, e que neste encontro foi sugerida a contratação da empresa.

- Cada jurista, cada um tinha sua tese de como levar à nulidade da Lava-Jato. Eduardo estava convicto que, para levar a nulidade da Lava Jato, seria descobrir inconsistências na delação de Paulo Roberto Costa ou Alberto Youssef, achando contas no exterior (...) Não sei se essa foi uma das razões que ele contratou a Kroll.

Ainda na presidência da Câmara, Cunha classificou como "reservados" o contrato e os documentos das investigações da britânica Kroll. Com a classificação, os arquivos deveriam ser mantidos sob sigilo por cinco anos, até 2020, pela Lei de Acesso à Informação.

O depoimento de Marcelo Odebrecht foi encaminhado à Justiça Federal do Paraná, onde será decidida a abertura de inquérito.

Se comprovado que Cunha contratou a Kroll na tentativa de produzir informações capazes de anular as investigações da Lava-Jato, o ex-deputado poderá responder por obstrução de Justiça perante a 13 ª Vara Federal de Curitiba, conduzida pelo juiz Sérgio Moro.

Cunha foi condenado por receber US$ 1,5 milhão pela compra, pela Petrobras, de um bloco de exploração de petróleo em Benin, na África. Um segundo processo contra ele deve ser encaminhado a Moro pelo Tribunal Regional da 2ª Região, no qual ele responde por propina de US$ 5 milhões na contratação de um navio-sonda da Petrobras - a ação foi iniciada a partir da delação do lobista Júlio Camargo.

A mulher de Cunha, a jornalista Cláudia Cruz, também responde a processo por lavagem de dinheiro e tenta provar que não sabia da origem ilítica dos recursos.

Siga-nos no

Google News