
SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viabilizou dentro da Construindo um Novo Brasil (CNB), corrente majoritária do PT da qual faz parte, a candidatura da senadora Gleisi Hoffmann (PR) para presidir a legenda. A decisão foi tomada na noite de segunda-feira em reunião de Lula com os integrantes da corrente. Nesta terça-feira, em entrevista a uma rádio de Pernambuco, Lula disse que o assunto “definido, definido, não está, mas está 90% encaminhado”. Hoje o ex-presidente deve se encontrar com o senador Lindbergh Farias (RJ) e outras lideranças petistas para discutir o assunto.
— Espero que a gente chegue no Congresso do PT altamente unificado para construir a fortaleza do PT para disputar as eleições em 2018 — disse Lula na entrevista.
O objetivo da indicação de Gleisi é tentar construir uma candidatura única. O outro candidato a presidente do PT, justamente Lindbergh, é apoiado pelo movimento Muda PT. O senador carioca é amigo da senadora paranaense, o que poderia facilitar a sua desistência.
“A corrente Construindo Um Novo Brasil, reunida em São Paulo em 03 de abril com o presidente Lula, se associa ao seu esforço na construção da unidade de todo o partido, indicando o nome da companheira Gleisi Hoffman, como candidata à presidência nacional do PT, a ser apresentada a todas as correntes”, afirma nota divulgada pela CNB.
Gleisi, que é ré na Lava-Jato, havia apresentado sua intenção de concorrer à presidência do PT no último ano, mas em seguida desistiu da disputa. Convencida por Lula, aceitou a indicação agora. Inicialmente, disputavam o posto de candidato da corrente para presidir o PT o ex-ministro Alexandre Padilha e o atual tesoureiro da legenda, Márcio Macedo. Ao longo da semana passada, Lula participou de inúmeras reuniões para tentar unificar o grupo. Na última segunda-feira, diante da opção por Gleisi, os dois desistiram de encabeçar a chapa.
“Os companheiros Alexandre Padilha e Márcio Macedo, ratificando seu compromisso histórico com a unidade do partido, retiram as respectivas candidaturas em prol da possibilidade de termos, pela primeira vez na história, uma mulher na presidência nacional do PT”, diz a CNB.
Caciques petistas avaliam que uma disputa pela presidência no momento que o partido vive a maior crise de sua história poderia provocar novas fissuras internas.
“A CNB entende que a unidade partidária é pressuposto fundamental para fortalecer e revigorar o nosso partido, para derrotar o projeto neoliberal e construir a possibilidade do Brasil voltar a ser justo, democrático e feliz com Lula presidente em 2018”, acrescenta a CNB.
A eleição do novo presidente do PT ocorrerá no congresso do partido, previsto para acontecer no início de junho, em Brasília.




