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Conselho de Ética decide por censura a Jean Wyllys por cuspe em Bolsonaro

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BRASÍLIA - Foi rejeitada pelo Conselho de Ética a punição de suspensão do mandato do deputado Jean Wyllys (Psol - RJ) por um mês, proposta pelo relator do caso, deputado Ricardo Izar (PP-SP). Em vez da suspensão do mandato, que teria de ser votada pelo plenário da Câmara, a maioria do Conselho de Ética votou nesta querta-feira pela advertência escrita da conduta de Wyllys. No dia da votação do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, há quase um ano, Wyllys cuspiu no deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

O parecer vencedor, pela advertência, foi elaborado pelo deputado Júlio Delgado (PSB-MG) e obteve 13 votos a favor e uma abstenção. A advertência a Wyllys será lida pelo plenário da Casa. O parecer de Izar, por outro lado, obteve apenas quatro votos, versus 9 votos contra. Izar reduziu a dose de sua pena sugerida inicialmente, que era de quatro meses, para um mês. Mas mesmo assim foi derrotado.

— Me parece que estamos aqui julgando alunos. Mas como na escola, antes da suspensão vem a advertência — disse o deputado Sandro Alex (PSD-PR).

Durante a discussão do caso, muitos deputados relativizaram a conduta de Wyllys, afirmando que ele havia sido provocado em diversos outros momentos por Bolsonaro. Os que se posicionaram contra a suspensão do mandato de Wyllys também pontuaram que não pegaria bem, aos olhos da sociedade, que o Congresso, em tempos de Lava-Jato, votasse um caso de cuspe de um colega no outro.

— A sociedade vai falar: a Câmara dos deputados, num quadro desse de lista de Janot vai discutir isso? Não me parece bom senso — disse Chico Alencar (Psol-RJ), referindo-se ao fato de diversos parlamentares serem alvos de pedido de investigação por parte do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot.

— A sociedade vai dizer: a Câmara não tem mais o que fazer: agora vai ficar discutindo o guspo (sic). Se era um guspo melequento, se era um guspe encatarrado — emendou o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que ainda não é membro do Conselho de Ética, mas foi indicado para a próxima composição do colegiado a ser formada.

Outro atenuante mencionado reiteradamente foi o ambiente de alta tensão daquele 17 de abril de 2016, quando a Câmara aprovou o início do processo de impeachment de Dilma.

Este foi o último julgamento feito pela atual composição do Conselho de Ética. Novos membros serão empossados para serem membros do colegiado pelos próximos dois anos.

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