Faz nove meses que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso das primeiras vacinas contra covid-19 no país: a AstraZeneca e a CoronaVac. Depois, a agência reguladora permitiu o uso da Pfizer e da Janssen.
Um dos critérios que ajudam um imunizante a obter o registro sanitário, ou a autorização de uso emergencial, é o fato de ele ter passado por testes em voluntários brasileiros. Por isso, reunimos, em uma série de reportagens, seis candidatas a vacina testadas no Brasil - e que podem chegar aos nossos braços nos próximos meses.
Nesta primeira matéria, contamos que três vacinas são produzidas a partir de engenharia genética. Elas são feitas com uso de DNA ou RNA do SARS-CoV-2, o novo coronavírus.
A infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia Tânia Chaves explica como esse tipo de imunizante funciona.
Uma dessas candidatas a vacina é da Inovio Pharmaceuticals e foi testada em 350 voluntários, com 18 anos, ou mais, nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Ela usa uma técnica chamada DNA com eletroporação. Ou seja, o imunizante cria um campo elétrico que enfraquece a membrana, a capa que envolve o coronavírus, para ficar mais fácil destruí-lo.
As outras duas usam tecnologia baseada em RNA, que carrega informações genéticas da proteína do vírus causador da covid-19, o Sars-CoV-2. Uma é de RNA mensageiro, desenvolvida pela farmacêutica Sanofi Pasteur - a mesma da vacina contra o vírus influenza, da gripe - e testada em 150 voluntários, com 18 anos, ou mais, na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
A outra usa RNA autorreplicante e foi desenvolvida pelo laboratório HDT. No Brasil, ela é testada em parceria com o Senai Cimatec, da Bahia, e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio de um acordo de transferência de tecnologia. É o único dos seis estudos em curso com esse modelo de parceria. Os 90 voluntários vivem na Bahia e têm de 18 a 55 anos.
A infectologista Tânia Chaves destaca que essas vacinas têm alta eficácia.
As primeiras vacinas contra covid-19 foram aplicadas em tempo recorde, no começo do mês de dezembro, nos Estados Unidos e na Inglaterra - apenas nove meses após o começo da pandemia. Algumas pessoas até ficaram desconfiadas com essa rapidez, mas existe uma explicação: a tecnologia está do nosso lado.
Eram doses do imunizante da Pfizer, que usa a técnica do RNA mensageiro, também baseada em código genético.
O infectologista André Ricardo da Silva, que integra o Grupo de Trabalho Covid, da Universidade Federal Fluminense, afirmou que foi o uso dessa tecnologia que permitiu o desenvolvimento tão rápido.
Essas vacinas estão em fase de testes em voluntários e ainda não pediram à Anvisa autorização para uso na população em geral.
Na reportagem de amanhã (2), vamos falar sobre novos imunizantes contra a covid-19 desenvolvidos usando vírus inativado, ou a proteína S do coronavírus.



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