SÃO PAULO — O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e os lobistas Fernando Baiano e Milton Pascowitch prestarão depoimento nesta sexta-feira para o juiz Sergio Moro em audiência na Justiça Federal de Curitiba. Os três delatores serão ouvidos na condição de testemunhas de acusação na ação penal que apura se houve pagamento de propina a Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz, no esquema de corrupção da Petrobras.
O Ministério Público Federal diz que Jorge e Bruno, ambos apontados como operadores do PMDB, receberam vantagens indevidas na compra de dois navios-sondas pela estatal. Eles foram presos na 38ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Blackout.
Além do pai e filho, que estão presos na carceragem da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, há ainda outras sete pessoas citadas na denúncia do MPF. Os acusados vão responder pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Na quinta-feira, Moro ouviu o auditor da Petrobras Robson Cecílio, o ex-gerente da área Internacional da Petrobras Eduardo Musa e o lobista Júlio Camargo. Musa e Camargo negaram qualquer tipo de conhecimento sobre o envolvimento de Jorge e Bruno no escândalo de corrupção da Petrobras.
Camargo disse que os pagamentos de propina a agentes públicos da estatal eram operacionalizados por Fernando Baiano, que repassava a numeração das contas de uma série de off-shores, onde Camargo fazia os pagamentos de propina.
O auditor da Petrobras reiterou que a contratação dos navios10.000 e Vitória 10.000 da estatal, entre 2006 e 2007, contrariou as as regras de governança da estatal. Ele disse que o estudo que avaliou a necessidade da aquisição foi pautado por projeções extremamente otimistas sobre o mercado de petróleo, cuja possibilidade de aumento de demanda não se confirmou nos anos seguintes.

