Durante a madrugada, foram destruídos dois monólitos de aproximadamente 700 quilos, e espalhados pelo local três sacos de ossadas - nenhum deles com restos mortais encontrados em Perus. Estátuas de outros túmulos não relacionados ao ossário ou à exposição também foram depredadas, como uma imagem de Santo Antônio. O espaço também foi pichado.
A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) anunciou que vai acompanhar o caso. "É um fato que reflete a situação extremamente delicada de como tratar essa questão das ossadas e dos desaparecidos", lamentou o secretário Rogério Sottili.
A SMDHC analisa a necessidade de envolver a Polícia Federal no caso. Sottili está em contato com o presidente da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Presidência da República, Marco Antônio Barbosa, para criar um grupo de antropologia forense que identifique essas ossadas.
O deputado estadual Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão da Estadual da Verdade, esteve no ato ecumênico do sábado, 2, e na inauguração da exposição, ontem. Para ele, a depredação tem vínculo com as ossadas. "Todos sabem que ali estão os ossos de Perus, embora não tenham aberto a gaveta correta. Também deixaram ali uma assinatura, uma pichação. Esse ato tem autoria reivindicada."
Obra
A exposição Penetrável Genet, produzida pelos artistas Celso Sim e Anna Ferrari, teve de ser inaugurada simbolicamente no cemitério. "Isso me parece crime político, é uma barbaridade", afirmou Sim, ao lembrar que os computadores que estavam no local não foram levados. A obra estará aberta para visitação a partir de amanhã.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

