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Carlos Melo: ‘Não dá para simplesmente sair por aí só prendendo e expulsando’

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Os casos de corrupção não são só individuais, envolvem financiamento de campanha. Um político não tem poder para indicar um diretor de estatal sozinho, um partido tem poder porque ele tem uma bancada, que vai defender milhares de interesses diferentes. É claro que a corrupção tem nome e sobrenome, mas muitas das vezes essas pessoas operam em nome do partido, ainda que tenham enriquecido pessoalmente, existe uma distribuição que passa pela cúpula do partido e pelas eleições.

O país precisa fazer reformas, a relação das empresas com o Estado precisa ser revista, você precisa ter uma reforma política, precisa discutir novamente o financiamento de campanha, não dá para simplesmente sair por aí só prendendo e expulsando indivíduos. É claro que eles têm que ser presos, mas precisa também haver reforma que mexa com a a estrutura partidária, que mexa com os partidos e mude a concepção de campanha eleitoral. Isso aí o sistema não está muito interessado em fazer. Não é só o sistema eleitoral que precisa ser envolvido nessas reformas, não apenas o TSE. A Receita Federal que acompanha movimentações financeiras também precisa agir, a mudança passa por toda uma estrutura. A solução precisa ser sistêmica, não apenas individual.

Quando a sociedade acha que a política é coisa de malandros, a malandragem agradece. Está faltando sociedade aí, estamos olhando para tudo isso embasbacados, achando que é assim mesmo. Mas a sociedade pode transformar as coisas; os partidos políticos ficaram com medo das manifestações de 2013, com as manifestações pelo impeachment. Por que agora a população se cala? Não sei responder a isso. Só sei que quem vota não é o Aécio, o Lula ou a Dilma, quem vota são as pessoas. Esse sistema é resultado do voto. A sociedade precisa parir novas lideranças. Se essas lideranças serão mais parecidas com Emmanuel Macron (presidente francês, que criou um movimento novo) ou Donald Trump (que chegou ao poder via um partido tradicional), é do jogo. Se a coisa continuar sendo um problema de desajuste só entre os políticos, vamos continuar na crise.

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