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Candidata do PSOL acusa policial militar de abuso de autoridade e ameaça

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RIO - A vereadora de Niterói e acusou um policial militar de , após uma confusão na barca na manhã dessa quinta. Portando panfletos de sua campanha, ao lado de militantes, ela diz que o grupo foi bruscamente abordado pelo agente, que alegou a prática de, um crime eleitoral. O policial chegou a sacar sua arma, e deu voz de prisão a um jovem, que, ao observar a cena, foi defender a vereadora. O caso foi registrado na .

O grupo do PSOL havia entrado na barca das 9h, em Niterói, em direção à Praça Mauá, onde o partido daria início à campanha de seus candidatos. Ainda na estação, o policial abordou duas das militantes, afirma Talíria, e avisou que elas não poderiam panfletar na embarcação, no que elas responderam que apenas carregariam os panfletos. A confusão, começou, explica a vereadora, no momento em que ela fez selfies com o material de divulgação.

— A gente não estava distribuindo panfletos. Estava apenas segurando o papel com a minha mão e tirando fotos. O policial então veio bruscamente falando que eu não poderia fazer aquilo. Sinceramente, foi uma violência gratuita. Ele foi muito grosseiro, e então pedi para ser respeitada. Ele apreendeu nossos documentos, que só foram liberados na delegacia, sete horas depois — conta Talíria, que destaca como mais grave o momento em que ele deu voz de prisão a um jovem que tentou lhe defender, e sacou sua arma.

Para a vereadora, a motivação do agente foi política, o que teria ficado explícito no momento em que ele disse que “ideologia mata” dentro da barca, e na delegacia, quando ele teria feito piadas sobre direitos humanos.

— Quando ele sacou a arma, eu pedi calma e disse para ter cuidado porque arma mata. Ele respondeu algumas vezes que “ideologia também mata” e que “ideologia mata mais”. Eu nem conhecia o rapaz que levou voz de prisão. Ele é negro e foi jogado violentamente nos assentos — diz Talíria, que já recebeu ameaça de morte anônima por telefone quatro meses antes do assassinato de Marielle, que era sua amiga próxima — Eu sempre sofri hostilidades por causa da minha cor e das minhas posições políticas. Depois da execução da Marielle, recebi proteção policial, por determinação da Secretaria de Segurança.

Além de apreender os panfletos e recolher os documentos do grupo, e de um jornalista do Jornal do Brasil que se encontrava no local e filmou a cena, o policial deu voz de prisão ao jovem na barca e a um segundo, militante do PSOL que estava na Praça XV, no final da travessia da barca. Ao ver a situação, ele também reclamou com os policiais e tomou uma gravata, segundo Talíria. Naquele momento, todos envolvidos foram levados à 4ª DP. Duas advogadas, uma que representa o PSOL, e outra, tia do primeiro jovem a receber voz de prisão, foram impedidas de acompanharem o grupo, afirma a vereadora. As duas precisaram ir sozinhas, depois.

Procurada, a Polícia Militar confirmou que aconteceu um “tumulto” na barca e que o grupo foi para a 4ªDP. Já a Polícia Civil disse que ainda está apurando o que foi registrado. Segundo Talíria, ela não pôde abrir uma nova ocorrência, então foi inserida como vítima dentro do registro feito pelo policial.

— Pretendo levar a denúncia até o fim, é um absurdo isso acontecer. Houve ameaça e abuso de autoridade. Considero muito grave que o policial, que está representando o Estado, aja dessa maneira — diz Talíria, que pediu as câmeras do circuito da CCR, concessionária responsável pelas barcas. — Também é um absurdo a CCR não se manifestar. Um policial sacou a arma no meio de muita gente, dentro da embarcação.

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