Início Brasil Câncer de pâncreas vem sendo detectado em jovens e principalmente mulheres, diz oncologista
Brasil

Câncer de pâncreas vem sendo detectado em jovens e principalmente mulheres, diz oncologista

Câncer de pâncreas vem sendo detectado em jovens e principalmente mulheres, diz oncologista
Câncer de pâncreas vem sendo detectado em jovens e principalmente mulheres, diz oncologista

O câncer de pâncreas é um tumor agressivo que em 80% dos casos é diagnosticado tarde demais por estar em estágio avançado. A doença vem sendo cada vez mais diagnosticada em jovens, principalmente no público feminino.

A cientista Núria Malats, chefe do Grupo de Epidemiologia Genética e Molecular do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer (CNIO), promove a Pancreatic Cancer Research Alliance (Alipanc), que conseguiu agregar 45 equipes de pesquisadores de todas as esferas da vida que tentam evitar um recorde fatídico: o carcinoma pancreático é a segunda causa de morte por câncer na Espanha. No Brasil, é responsável por cerca de 1% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 5% do total de mortes causadas pela doença, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Ao Globo, a cientista alerta que o câncer de pâncreas que antes era muito semelhante em homens e mulheres com idade média entre 67 e 70 anos agora está sendo visto mais em pessoas mais jovens, como é o caso do câncer de cólon "Não sabemos o que está por trás disso. Acredita-se que possa estar relacionado ao aumento da obesidade e do diabetes. Mas certamente existem outros fatores que não identificamos. Pode haver uma disbiose (desequilíbrio microbiano) inicial no cólon devido ao abuso de antibióticos. Também investigamos a predisposição genética. Sabemos que existem fatores de risco, mas não explicam tudo. Não há um único elemento e testar todas as hipóteses não é tão fácil. É verdade que todos os casos identificados apontam para um problema de inflamação crónica do pâncreas e isso dá alguma pista."

Ainda de acordo com Núria, o câncer tem uma evolução rápida e é difícil o diagnóstico precoce: " Se existe uma forma de identificar o câncer de pâncreas em estágios bem iniciais, é com uma biópsia líquida e com toda a tecnologia de inteligência artificial aplicada às imagens. Será um campo importante em termos de marcadores de diagnóstico precoce, mas também precisamos definir a população na qual aplicar esses biomarcadores. Não pode ser para toda a população porque a incidência não é alta o suficiente. Precisamos ir para a população de maior risco. Até agora, programas de triagem estão sendo feitos para aqueles que têm chances hereditárias ou familiares de câncer pancreático. Mas representa apenas 10% e perdemos 90%. E também não são tão eficientes. Quando o câncer de pâncreas aparece entre dois ou três testes, já está avançado e nada foi visto antes. Isso certamente porque as ferramentas de imagem que são usadas sem inteligência artificial não são sensíveis o suficiente, porque a janela de oportunidade deveria ser menor entre um exame e outro e também pelas características desse tumor, que torna ainda mais difícil."

 

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?