BRASÍLIA - Apesar das falas inflamadas do senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo e presidente nacional do PMDB, de que irá punir peemedebistas que votarem a favor da denúncia que pesa contra Michel Temer, caciques do PMDB ouvidos pelo GLOBO dizem que o deputado Sérgio Zveiter (RJ), relator da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, não será expulso nem afastado temporariamente do mandato. Em seu parecer, Zveiter recomendou a continuidade da investigação da denúncia que pesa contra Temer.
— Muito difícil punir alguém dentro do PMDB. A vantagem do partido é que todo mundo manda, mas ninguém obedece — brincou um peemedebista da cúpula.
Como o deputado federal é do Rio, para ser expulso ou afastado do cargo é preciso que o diretório fluminense do PMDB, comandado por Jorge Picciani, recomende a sanção, seja a expulsão, o afastamento por 90 dias ou outra punição semelhante. Em seguida, a recomendação segue para Jucá, presidente nacional do partido, que, se deferir o pedido de punição, envia a recomendação para a comissão de ética do partido. A comissão escolhe relator e vota o pedido, que é mais uma vez aprovado por Jucá.
Dirigentes do PMDB nacional e do Rio admitem que, se Zveiter votar contra a determinação do partido, que fechou questão a favor de Temer, pode sofrer penalidades como perder relatorias e cadeiras em comissões da Câmara. Mas sanções mais sérias estão descartadas por esses integrantes do partido.
— O partido nunca teve a tradição de punir, até porque o PMDB nunca teve unidade nacional. O Zveiter não será punido, pode esquecer. Até porque ninguém tem moral para expulsar ninguém, está todo mundo enrolado — afirmou um cacique do partido.
Um integrante do governo próximo a Temer, no entanto, lembra que o deputado pode perder o lugar na CCJ:
— O Zveiter tem que lembrar que a cadeira dele na CCJ não é dele, é do PMDB. É bom ele não esquecer disso - disse um assessor do Palácio do Planalto.

