Câmeras de segurança e pessoas nas ruas gravaram o momento da briga. Em vídeos que circulam nas redes sociais, é possível ver Raissa sofrendo socos na cabeça por uma mulher (mais alta e mais forte) por mais de dois minutos. A vítima precisou ser hospitalizada com lesões no rosto, na costela, nas mãos e na boca. Ela chegou a ter um dente quebrado.
Nesta semana, já em casa, ela tem sido auxiliada por advogados no caso. A suposta agressora, identificada como Michelle Milburn, de 45 anos, chegou a ser presa. Mas, segundo a brasileira, a americana deixou a prisão após pagar fiança. "Acho que ela saiu já com a intenção de machucar algum imigrante", disse a vítima à reportagem.
As intimidações, segundo Raissa, começaram quando ela e Michelle estavam no trânsito, cada uma no seu carro, esperando um trem passar para continuarem o trajeto. A brasileira percebeu que a mulher ao lado estava com um celular na mão e gesticulando em sua direção.
"Imaginei que ela estivesse falando no telefone. Não dei muita atenção e continuei olhando para frente esperando a cancela abrir", diz. Na sequência ela conta que a americana abaixou o vidro do seu carro e, com o celular apontado para Raissa, começou a agredir a brasileira verbalmente.
"No começo, imaginei que ela quisesse dizer algo do meu pneu ou do meu carro, mas quando percebi que o celular dela estava apontado para mim, também abaixei o vidro e escutei ela me dizendo: 'o que você está olhando, sua v...?', diz Raíssa.
A brasileira conta que, no começo, ignorou os insultos, mas revidou após ouvir de Michelle que ela deveria "voltar para o seu país". "Eu disse que isso era um crime e que eu não tinha feito nada, e estava no meu direito".
Depois de confrontar a americana, Raissa conta que Michelle pegou um canivete do porta-luvas e começou ameaçá-la. Assustada, a brasileira voltou para o carro e fugiu. Mas, minutos depois, foi alcançada e teve o seu veículo fechado pela agressora. "Eu saí do carro e comecei a gravar a placa do carro dela com o meu celular para mostrar para a polícia", lembra Raissa.
Foi quando começaram as agressões físicas. A brasileira conta que levou dois socos na cabeça e foi golpeada também na costela, braço, dedo e chegou a perder um dente por conta das agressões. O canivete não teria sido usado para esfaquear, mas para intensificar os ferimentos. Apesar de muitas pessoas ao redor gravarem a cena, ninguém se aproximou para apartar a briga.
Pelas filmagens, é possível ver a americana aplicando uma sequência de golpes contra a brasileira, que tenta se desvencilhar dos ataques. Insultos e palavrões também podem ser ouvidos durante as agressões. Por mais de uma vez, Raissa pede para que as pessoas próximas chamem a polícia.
Nas imagens, a agressora aparece com um celular na mão. Segundo a brasileira, a mulher mostrava as cenas para o filho, com quem estava em uma ligação por chamada de vídeo. E ele mesmo, de acordo com a vítima, pedia para a mãe parar com os golpes.
"Ela (Michelle) gritava a todo momento que nada disso aconteceria por ela ser americana", diz Raissa. Após as agressões, Michelle teria fugido do local. A brasileira comunicou o caso à polícia, que encontrou a agressora depois e a encaminhou para a delegacia. Após pagar a fiança, a mulher, que mora em Marlborough (cerca de 40 minutos de Framingham), foi solta.
A Justiça americana continua apurando o caso e uma audiência está marcada para o dia 13 de junho, segundo Raíssa.
Trauma
Raissa conta que ainda não conseguiu retomar a rotina diária. Ainda assustada, ela tem passado a maior parte do tempo em contato com a polícia e com seus advogados. Por isso, não retomou o trabalho que exerce no país estrangeiro como entregadora de mercadoria por aplicativo.
Depois do ataque, Raissa afirma que tem receio de se encontrar novamente com a mulher que a agrediu. A brasileira chegou a ouvir de uma comerciante que, dias depois ataque que sofreu, Michelle Milburn teria ido ao mesmo supermercado que a brasileira costuma frequentar.
Raissa também chegou a trocar o carro, que era alugado, e pretende mudar de casa até o fim do mês. "A única coisa que eu queria era poder fechar os olhos e esquecer tudo o que aconteceu".
Mineira, mãe solo e residente nos Estados Unidos desde o começo do ano, ela não pretende voltar para o Brasil por desejo dos seus dois filhos, um adolescente de 16 anos e uma menina de 8. "Não posso generalizar todas as pessoas dos Estados Unidos só por conta de uma pessoa", diz a brasileira, que já havia morado no país em 2018.


