Preso há uma semana na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de 70 anos, tenta se adaptar à rotina restrita e ao isolamento imposto após o início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Interlocutores relatam que o período tem sido marcado por abalo emocional e dificuldades físicas, enquanto aliados concentram esforços em oferecer apoio psicológico e informações sobre possíveis recursos judiciais.
No início das manhãs, Bolsonaro segue para o banho de sol, uma das poucas atividades permitidas no espaço reduzido destinado aos detentos sob regime especial. A área limitada não permite caminhadas mais longas, o que, segundo relatos, prejudica o controle das crises de soluço e episódios de refluxo e vômitos que têm sido frequentes. Dentro da cela de cerca de 12 metros quadrados, o ex-presidente passa a maior parte do tempo assistindo à televisão aberta, acompanhando noticiários e partidas de futebol, além de resolver caça-palavras levados pelo filho Jair Renan.
A alimentação ocorre três vezes ao dia e é preparada por Michelle Bolsonaro, com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF. As refeições seguem recomendações médicas devido ao histórico de cirurgias abdominais do ex-presidente, mas também atendem ao seu receio em consumir a comida fornecida pela PF. Apesar de o acesso a advogados e médicos ser liberado sem exigência de autorização prévia, a entrada de familiares depende de autorização judicial, o que tem intensificado a sensação de isolamento.
Segundo familiares, advogados e médicos que o visitaram na primeira semana de prisão, Bolsonaro demonstra fragilidade emocional e queixa-se de noites mal dormidas, além de insistir na narrativa de que não teve um "julgamento justo". Na quinta-feira (27), o cardiologista Leandro Echenique fez um atendimento por telefone e ajustou a medicação após nova crise de soluço. Mesmo diante do cenário político de 2026, as conversas no cárcere têm priorizado apoio psicológico e a expectativa de conseguir a progressão para prisão domiciliar.
Bolsonaro foi preso preventivamente em 22 de novembro, após violar a tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda, episódio que ele atribuiu a “paranoia” causada por medicação. A prisão foi convertida em definitiva após a execução da pena pelo plano de golpe. Desde então, Michelle e os filhos Flávio, Carlos e Jair Renan visitaram o ex-presidente. Enquanto a defesa aposta em relatórios médicos para pedir a domiciliar, Bolsonaro tenta se ajustar a uma rotina marcada por limitações, silêncio e longos períodos sozinho.

