SÃO PAULO - O ex-diretor da Petrobras Renato Duque disse desconhecer repasses de propina para Roberto Gonçalves, ex-gerente na diretoria de serviços. Gonçalves sucedeu Pedro Barusco - delator na Lava-Jato que devolveu quase US$ 97 milhões em contas secretas no exterior após fechar acordo de delação premiada. Duque afirmou, nesta quinta-feira, em depoimento ao juiz Sergio Moro que, ao contrário de Barusco, Gonçalves nunca foi seu intermediário para pagamentos de propina.
Também delator, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, já havia relatado à Lava-Jato que Gonçalves herdou as propinas recebidas por Barusco após assumir o cargo. Pessoa contou ter pago propina para o ex-gerente por meio do operador Mário Goes. O empresário afirmou que Gonçalves recebeu R$ 300 mil num bar no Centro do Rio de Janeiro.
Condenado a 57 anos, Duque conseguiu reduzir sua pena para 5 anos de prisão. Moro concedeu o benefício após o ex-diretor confessar crimes e ter se comprometido a devolver 20 milhões de euros em contas em Mônaco.
— Não tenho conhecimento (sobre pagamento de propina a Gonçalves).A propina acertada com Barusco continuou sendo paga a mim. Com relação aos contratos assinados na gestão do Gonçalves eu não posso garantir - disse Duque, que ainda acrescentou. — Na época, como já falei, a propina era institucionalizada. Eu nunca presenciei Gonçalves recebendo propina. Diferente do Barusco, ele (Gonçalves) nunca se encarregou de negociar e receber propina em meu nome.
Após a negativa, Moro indagou Duque enfaticamente sobre as propinas para Gonçalves. O ex-diretor voltou a dizer que não sabia, embora não tenha descartado a possibilidade.
— Não posso afirmar. Mas acredito que sim porque este era o modus operandi - disse Duque.
Gonçalves foi preso em março na 39ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de Paralelo. Ele é acusado de ter movimentado 5 contas em offshores criadas nas Bahamas e no Panamá. Numa delas, foram depositados US$ 3 milhões por meio do departamento de propinas da Odebrecht.

