Um laudo técnico da Polícia Científica do Paraná confirmou que a baixa temperatura ambiente foi o principal fator que provocou a explosão na fábrica de explosivos Enaex Brasil, ocorrida em 12 de agosto, na Região Metropolitana de Curitiba. O acidente deixou nove mortos e sete feridos, sendo considerado um dos mais graves da indústria química no país nos últimos anos.
Segundo os peritos, o frio intenso — com registros de 3 °C na manhã do acidente — causou a solidificação do pentolite, uma mistura altamente instável de TNT e nitropenta, dentro do reator de produção. O atrito entre o material endurecido e as pás do misturador teria gerado a detonação.
O sistema de segurança da fábrica, segundo o relatório, não possui travas automáticas para temperaturas abaixo de 50 °C, o que impediu a interrupção do processo mesmo em condições inadequadas. O alarme interno só é acionado em casos de superaquecimento, acima de 105 °C.
Investigação em andamento
A Polícia Civil prorrogou o inquérito por mais 30 dias para apurar se houve falha humana, negligência técnica ou omissão operacional. O Ministério Público recomendou a suspensão imediata das atividades com explosivos até que novos protocolos de segurança sejam implementados.
Os corpos das vítimas foram identificados por exames de DNA, devido à fragmentação causada pela explosão. Familiares cobram responsabilização da empresa e medidas para evitar novas tragédias.


