Um policial militar, identificado como Lucas Torrezani, 28, se tornou réu por matar o músico Guilherme Rocha dentro de um condomínio após o homem reclamar do barulho feito por ele e por amigos durante uma festa no apartamento.
Segundo a juíza Lívia Regina Savergnini, além do crime bárbaro, no dia seguinte o soldado ainda teria compartilhado uma mensagem em grupo de WhatsApp com amigos, debochando da morte de Guilherme. “Queria dormir, agora dormiu”, dizia o conteúdo.
O homicídio ocorreu em abril deste ano na porta do apartamento de Lucas e foi registrado por câmeras de segurança do condomínio. Na ocasião, o músico foi até o apartamento do soldado e pediu que ele e os amigos falassem mais baixo, pois a família ele e a família não estavam conseguindo dormir.
O PM se alterou e chegou a sair do condomínio, mas depois voltou e começou o barulho outra vez. Guilherme voltou ao local e conversou com Lucas novamente, mas o policial sacou uma arma, colocou no tórax dele por duas vezes e o ameaçou. Em seguida, ele bateu com o armamento no rosto de Guilherme e o mesmo reagiu e tentou segurar o objeto.
Nesse momento, um amigo de Lucas empurrou o músico, que caiu no chão, e Lucas disparou um tiro no ombro dele. A vítima ainda tentou sair e pedir socorro, mas caiu e agonizou até morrer.
Enquanto assistia o vizinho ir a óbito, Lucas ficou parado de frente para ele e continuou consumindo bebida alcoólica, sem acionar o socorro ou demonstrar qualquer nervosismo.
Para a juíza que o tornou réu, Lucas demonstrou frieza extrema e a completa falta de condições de viver em sociedade: “Acusado conta com personalidade desprovida de sensibilidade moral, sem um mínimo de compaixão humana, não valorizando o semelhante de forma a ser possível a convivência social, tanto que no dia seguinte ao crime ele se manifestou em um grupo de WhatsApp demonstrando total desapego à vida da vítima Guilherme … A imposição de sua custódia cautelar se mostra necessária para preservação da ordem pública pois presente a possibilidade de repetição da conduta em virtude do acusado novamente consumir de bebida alcoólica na posse de arma de fogo e, com isso, perder o autocontrole e voltar sua frustração contra outra pessoa por mero desentendimento”, destacou na decisão.
Lucas segue preso preventivamente e o amigo também responde pelo crime. No condomínio, a polícia descobriu que o PM costumava promover esse tipo de festas e incomodar os vizinhos e que Guilherme chegou a falar com ele várias vezes e chegou a registrar o problema no livro de ocorrências do prédio.



