BRASÍLIA — Uma semana após o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, o governo federal decidiu que a administração do museu vai continuar sendo feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O presidente Michel Temer e ministros vinham discutindo a possibilidade de trocar o museu de mãos desde o incêndio que destruiu o acervo da instituição, mas, segundo pessoas próximas ao presidente, a ideia foi descartada por um temor de que houvesse manifestações negativas, por parte da universidade, que atingissem o Palácio do Planalto.
A retirada do museu da UFRJ era uma das condições dos patrocinadores interesssados em doar dinheiro para reconstruir o museu. Para atender às empresas e entidades, Temer decidiu criar a Agência Brasileira de Museus (Abram). O órgão, criado por meio de uma medida provisória (MP) assinada nesta segunda-feira, será responsável pela reconstrução do museu e vai gerir os repasses dos doadores para esse fim. A Agência também passará a administrar os museus sob o guarda-chuva do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que será extinto. Os funcionários do instituto poderão ser cedidos à nova agência ou reincorporados ao Ministério da Cultura.
Em nota, a Casa Civil informou que a criação da agência e o repasse imediato dos museus do Ibram para o controle da nova instituição - entre eles o Museu Imperial, o Museu da Abolição, o Museu da Inconfidência e o Museu Nacional de Belas Artes -, com repasses da União e de entidades doadoras, vai resultar em um orçamento de R$ 200 milhões. O valor é três vezes maior que a verba que o Instituto Brasileiro de Museus teve em 2017.
Uma outra medida provisória que visa estimular doações privadas para projetos de interesse público também foi assinada nesta segunda-feira pelo presidente.

