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Alckmin reage a declarações de FH sobre sua candidatura

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BRASÍLIA — Um dia depois da entrevista do apresentador Luciano Huck no “Domingão do Faustão”, não descartando uma eventual candidatura a presidente, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tratou de minimizar e desfazer o mal estar provocado entre tucanos por declarações recentes do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Diante da ansiedade que Alckmin descole dos atuais 9% nas pesquisas de intenção de votos, FH disse em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo” que “se houver alguém com mais capacidade de juntar, que prove essa capacidade e que tenha princípios próximos aos nossos, tem que apoiar essa pessoa".

Integrantes do entorno de Alckmin reclamaram das declarações “dúbias” de Fernando Henrique e dizem, reservadamente, que a fritura do governador parte de aliados do prefeito de São Paulo, João Dória, de Huck e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que voltou a alimentar a ideia de ser o candidato do centro. Até o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, saiu em defesa da candidatura de Alckmin e chamou de “infeliz” as declarações de Fernando Henrique Cardoso.

Questionado nesta segunda-feira sobre o assunto, ao anunciar obras na represa Bilings, Alkmin considerou a fala de Fernando Henrique “absolutamente normal” e disse achar até que tenha sido deturpada. Disse que o que o presidente de honra do PSDB disse, é o que ele também defende, que o Brasil está cansado de divisão, que é preciso ter união para que o país retome uma agenda de reforma, de competitividade e de desenvolvimento.

— Isso é o que nós defendemos — disse Alckmin, colocando panos quentes na discussão gerada pela fala de Fernando Henrique.

Sobre a ansiedade de alguns tucanos para que ele decole nas pesquisas, o governador disse que as mudanças no quadro eleitoral — que, atualmente, mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) na frente — só vão ocorrer mais perto do processo eleitoral, quando a população estiver mais focada na disputa, e quando os candidatos estiverem definidos.

— Hoje você nem sabe ainda quem vai ser candidato O eleitor é muito sábio. Ele observa, ele acompanha, ele se informa, ele compara. Então, as grandes mudanças vão ocorrer no segundo semestre. Não vai ter nenhuma mudança extraordinária nesse começo de trabalho — justificou Alckmin.

Um dos mais próximos aliados de Alckmin criticou a “fritura” que o pré-candidato está passando

— Acho que essa “ fritura” vem da mesma frigideira de sempre: Dória, Huck, DEM e FHC é contraditório. Estão requentando o assunto e a imprensa gosta disso — comentou.

Na contramão de Fernando Henrique, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, diz não ter a menor dúvida de que “entre todos os aspirantes declarados, insinuados ou pressentidos a representar o centro reformista” na eleição, Geraldo Alckmin é o que tem maior densidade eleitoral. Diz que, além dos seus atributos pessoais “de serenidade, traquejo administrativo e experiência política que poucos têm”, há o enorme eleitorado de São Paulo, onde ele tem muito boa avaliação.

— Há também o eleitorado de estados onde historicamente o PSDB tem tido bom desempenho, terreno fértil a ser trabalhado por ele. Tudo isso nos faz crer que não há a menor hipótese da candidatura dele, no desenrolar da campanha ficar patinando nesse ponto de partida inicial que, aliás, é muito maior do que os que aspiram a ocupar o lugar dele no universo eleitoral. Alckmin é nome certo no segundo turno — defende Aloysio Nunes.

Mesmo dizendo que o PSB deverá ter outro candidato, o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, defendeu o apoio a candidatura do governador de São Paulo, que tem como vice o socialista Márcio França. Siqueira disse que, por mais que Fernando Henrique dê esse tipo de declaração, levantando dúvidas sobre a candidatura tucana, o nome de Alckmin se impõe.

— Foi uma declaração infeliz. Eu acho que Fernando Henrique faria melhor papel reforçando a candidatura de Alckmin, não criando dúvidas — criticou Siqueira.

O ex-presidente interino do PSDB, Alberto Goldman, também ressaltou que o PSDB deve seguir o caminho mostrado hoje pelo governador do Paraná, Roberto Richa, que em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo, disse que só Alckmin pode vencer Lula e que será “um soldado” do tucano no Paraná.

— Hoje o Beto Richa dá boa entrevista na contra mão dos desanimados. Assim deve ser — disse Goldman.

A fritura de Alckmin também chamou a atenção de lideranças do DEM, que aposta em uma arrancada de Rodrigo Maia para ocupar o espaço de Centro.

— Se Alckmin estivesse com 20% nas pesquisas os tucanos estariam quietinhos fazendo fila na porta do Bandeirantes. Nessa estória toda quem está jogando bem é o nosso Rodrigo Maia — comentou um dos dirigentes do Democratas comentando o episódio.

O secretário geral do PSDB, deputado Marcus Pestana (MG), que esteve com Alckmin na tarde desta segunda-feira, disse que essa insegurança em relação a performance de Alckmin nas pesquisas vai decantar a partir de abril, quando encerrar o prazo de filiação partidária e o quadro de candidatos ficar mais claro.

— Fernando Henrique falou em abstrato. Falou da necessidade de unir o centro para evitar os extremos — avaliou Pestana.

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