SÃO PAULO. Acabou em tumulto e confusão o anúncio em conjunto entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da cidade, João Doria, de novas habitações populares na região da Cracolândia. O discurso de ambos, na região da Luz (próxima à Cracolândia), durou apenas alguns minutos e foi interrompido por gritos de “fascistas” e “higienistas”. Uma coletiva de imprensa marcada para a manhã desta quarta-feira acabou não acontecendo no local e foi transferida para a Prefeitura.
Correligionários de ambos tentavam abafar o protesto com gritos de “Alckmin!”.
A situação na região é tensa desde domingo, quando uma operação da polícia dispersou os usuários de crack e prendeu traficantes na área. Na operação, que aconteceu durante a Virada Cultural de São Paulo, o que também foi alvo de críticas, policiais apreenderam quase R$ 50 mil em espécie, duas máquinas de cartão de crédito, além de 12 quilos de crack e quantidades menores de outras drogas. No total, 53 pessoas foram presas ali, 51 delas por tráfico.
Doria chegou a anunciar o fim da Cracolândia; Alckmin foi mais cauteloso — a questão causou um mal estar entre os dois políticos. O anúncio em conjunto hoje era uma tentativa de conter a crise.
— Quero dizer pra turma do grito que não é assim que se resolve as coisas na democracia — disse Doria, antes de cancelar a coletiva de imprensa. Na saída, Alckmin foi cercado por manifestantes e saiu às pressas.
Um dos manifestantes, que se identificou apenas como Leonardo, mostrava a camisa rasgada nas costas, segundo ele por ação dos seguranças do governador.
Na terça-feira, demolições no local deixaram três pessoas feridas. O Ministério Público disse que vai abrir investigação por violações de direitos humanos da Prefeitura e do Governo do Estado na Cracolândia.

