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Ala divergente do PSDB ataca presidente da CCJ por escolha de relator pró-Temer

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BRASÍLIA - A ala divergente do PSDB ficou irritadíssima com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), e promete centrar fogo contra ele por ter escolhido um tucano governista para relatar a segunda denúncia criminal a aterrissar na Câmara contra o presidente Michel Temer. Para esse grupo, a indicação do deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG) foi uma “provocação”, e acirra ainda mais o racha do partido.

Pacheco é acusado de tomar uma decisão combinada com o governo, já que Andrada votou pelo não prosseguimento da primeira denúncia, no mês passado, e quebrar o compromisso feito com o líder do partido, deputado Ricardo Tripoli (SP).

— A decisão do governo foi uma decisão de provocar o PSDB e o racha interno, uma decisão que está acirrando ânimos. E o Rodrigo Pacheco, como presidente da CCJ, de forma alguma poderia ter feito esse jogo combinado com o governo. E não dá para ele negar essa combinação, porque houve uma conversa com o PSDB, com o líder do partido, e quando ele não respeita um acordo feito com o líder do PSDB ele desrespeita toda a nossa bancada. Foi um erro dele compartilhar essa estratégia desastrosa do governo — diz o deputado Daniel Coelho (PSDB-PE).

Outra deputada ligada a essa ala, Shéridan (PSDB-RR) diz que para os tucanos que se posicionam contra o governo será um constrangimento ter que votar contra um relatório de alguém do próprio partido. Quando a primeira denúncia contra Temer foi apresentada à Câmara, Pacheco escolheu um deputado do PMDB considerado independente, o deputado Sergio Zveiter (RJ), que até mudou de partido após ter apresentado um parecer pelo prosseguimento da investigação contra o presidente. Esse parecer foi derrotado na comissão, e para apresentar um novo parecer, que foi vencedor, Pacheco escolheu então um outro tucano que é ligado ao governo, o deputado Paulo Abi-ackel (MG). Naquele episódio o partido ficou numa saia-justa e rachou: metade votou em plenário a favor do relatório de Abi-ackel e portanto a favor de Temer e a outra metade contra o relatório e portanto pela investigação.

— Votar contra um relatório feito por um deputado tucano cria um constrangimento para o partido, e incita ainda mais instabilidade interna, o que é muito ruim. O presidente da comissão escolhe quem ele quiser, mas considerando que houve uma combinação entre ele e o líder do partido para não escolher um dos deputados tucanos, é uma provocação — diz Shéridan.

Alguns deputados ainda mais raivosos acusam reservadamente Pacheco de escolher alguém pró-Temer para pavimentar seu caminho eleitoral em Minas Gerais, onde Pacheco tem pretensões de se candidatar ao governo do estado. Andrada é aliado do senador Aécio Neves em Minas. Pacheco rebate todos os ataques. E diz que a sua escolha atendeu a critérios técnicos. Andrada já presidiu a CCJ e é doutor em Direito.

— Entre qualquer interesse partidário e o da CCJ, vou ficar com o da CCJ. Certa ou errada a minha decisão se pautou num critério, que o deputado Bonifácio Andrada atende perfeitamente. Me causa muita estranheza o PSDB criticar a escolha do decano na Câmara dos Deputados para uma missão como esta. Eu não jogo o jogo de ninguém, do governo, do meu partido nem tampouco do PSDB. E não estou pensando em eleição de 2018 nesse assunto. Jamais me utilizaria da denúncia criminal contra alguém para fazer palanque político de qualquer natureza — defende-se Pacheco.

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