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Agenda em Davos no dia do julgamento favoreceu Temer, afirmam aliados

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DAVOS - Enquanto o Tribunal Regional Federal da 4ª Região () decide o futuro político do ex-presidente , o presidente passou o dia em reuniões com investidores, empresários e autoridades governamentais em , na . Interlocutores do presidente afirmam que a vinda a Davos para participar do acabou favorecendo Temer.

Se estivesse em Brasília no dia do julgamento, ele seria muito mais pressionado pelo tema e não poderia fazer nenhuma agenda pública. Já em Davos, ele conseguiu um palco para falar de economia e fazer propaganda de suas reformas sem enfrentar questionamentos mais diretos sobre eleições ou o ex-presidente.

O discurso do presidente no início do dia no Fórum tratou da retomada do crescimento econômico, da queda da inflação e dos juros, e dos esforços para reequilibrar as contas públicas com a aprovação de um teto para os gastos públicos. Temer também destacou a agenda de reformas e disse que vai trabalhar dia e noite pela aprovação da reforma da Previdência.

Segundo aliados, o pronunciamento do presidente deixou mais clara sua vontade de se lançar como candidato em 2018. Toda a narrativa foi construída para indicar aos investidores que a economia entrou no caminho certo e que isso precisa ter continuidade no futuro. O discurso não contou com uma plateia cheia - começou com um terço da sala cheia e terminou com metade de ocupação – mas o presidente ficou satisfeito com o resultado.

Ao longo da tarde, Temer teve nada menos que 11 reuniões bilaterais com investidores, empresários e autoridades de governo, cada uma com 15 minutos. Os empresários elogiaram Temer e defenderam a continuidade da política econômica. Quase todos disseram que o cenário eleitoral não é preocupante desde que o país continue na trajetória certa.

— Foi uma reunião muito boa. Eu tive três mensagens para o presidente. Parabenizei pela melhora da economia do país, agradeci pelas mudanças importantes feitas na indústria do petróleo, e disse que estávamos muito satisfeitos com o resultado da segunda e terceira rodada de leilões do pré-sal — disse o CEO da Shell, Ben van Beurden.

— O Brasil está crescendo, ficando transparente e ficando mais aberto para negócios. (…) Se eu me preocupar com cada eleição em cada país eu pareceria muito mais velho do que pareço agora. Já vimos todo tipo de governo possível e o que é importante é continuar engajado e trabalhar com quem as pessoas querem que você trabalhe — disse o CEO da Dow Chemical, Andrew Liveris.

Temer e a comitiva presidencial estão acompanhando o julgamento do ex-presidente entre uma reunião e outra. O deputado Beto Mansur (PRB-SP), vice-líder do governo, por exemplo, disse que está sendo informado do andamento do julgamento pelo irmão, que está vendo tudo pela televisão.

Os aliados do presidente afirmam que o importante é mostrar que o julgamento é técnico, jurídico. Isso diminui a chance de novo recurso para Lula e reduz ainda mais suas chances de concorrer. O mais importante, segundo eles, é deixar claro que não se trata de um julgamento político.

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