BRASÍLIA - O senador Aé (PSDB-MG) negou nesta sexta-feira para interferir nas investigações da Operação , justificando que nas conversas com o ex-ministro (PP-PR) tentou mostrar “seu inconformismo com inquéritos abertos sem qualquer base fática”. Serraglio confirmou denúncia da Procuradoria-geral da República (PGR) à colunado O GLOBO. Tucanos avaliam que as declarações de Serraglio complica a situação do senador mineiro.
Em nota, o advogado do senador ,Alberto Zacharias Toro, diz que não houve nenhuma “atitude imprópria” por parte de Aécio em conversas com Serraglio. “Todas as conversas que ele teve sobre o tema foram no sentido de mostrar seu inconformismo com inquéritos abertos sem qualquer base fática, em especial, com a demora em serem concluídos, levando a um inevitável desgaste”. Ainda segundo ele, a indicação de delegados “é afeita exclusivamente à PF, que não se submete a esse tipo de ingerência”.
Um dos parlamentares sondados pelo governo para assumir o ministério da Justiça após a saída de Alexandre de Moraes conta que Aécio teve influência na decisão do presidente Michel Temer sobre a substituição de Moraes na pasta. Outro parlamentar disse que as declarações de Serraglio servem apenas para reafirmar que politicamente a situação de Aécio está liquidada. Ele acredita que o senador não tem mais a mínima condição de se candidatar a cargo algum nas eleições deste ano.
— O assunto Aécio está encerrado, ele não vai ser candidato. É chutar cachorro morto. Politicamente acabou, ele está fora. Vai ficar aí se defendendo. Tá fora do jogo. Chance zero para ele — afirmou um dirigente tucano.
— Acho muito difícil a situação política dele. Está praticamente impossível para ele, e tende a piorar — concorda um mineiro do PMDB.
A avaliação de que Aécio vem perdendo a viabilidade eleitoral é majoritária entre os parlamentares tucanos e de outros partidos. Caso insista em se lançar à reeleição, o senador terá que subir no palanque do colega Antonio Anastasia, podendo prejudicá-lo numa disputa que já não é fácil para ele. Anastasia concorrerá com o atual governador, Fernando Pimentel, e com o candidato da terceira via, Rodrigo Pacheco (DEM).
— Não acredito que o Aécio faria qualquer coisa para prejudicar Anastasia. Imagino que ele optará por não ser candidato — pontua o vice-presidente do PSDB, deputado Ricardo Tripoli (SP).
O ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), foi cauteloso a comentar o caso. Disse apenas que por se tratar de uma acusação vinda de um ex-ministro deve ser apurada.
— O fato tem que ser apurado. É uma acusação de um ex-ministro, um parlamentar muito respeitado na Câmara — disse Pacheco.
O líder do PSDB na Câmara, deputado Nilson Leitão (MT), e o líder do partido no Senado, Paulo Bauer (SC), foram procurados mas não retornaram ao GLOBO.
O Senador Aécio Neves jamais tentou interferir na nomeação de delegados para a condução de qualquer inquérito. Essa questão é afeita exclusivamente à PF, que não se submete a esse tipo de ingerência.
Todas as conversas que ele teve sobre o tema foram no sentido de mostrar seu inconformismo com inquéritos abertos sem qualquer base fática, em especial, com a demora em serem concluídos, levando a um inevitável desgaste.
Com relação aos termos inadequados utilizados para referir-se ao então Ministro, em conversa privada criminosamente gravada pelo Sr Joesley Batista, o senador telefonou diretamente a ele à época, descupando-se pelas expressões utilizadas .
A defesa do Senador reafirma portanto, não ter havido nenhuma atitude imprópria de sua parte e lamenta que isso possa ter sido entendido de forma diversa.
Alberto Zacharias Toro

