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Aécio avisa que, por ora, não retomará comando do PSDB

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BRASÍLIA - Em almoço com a bancada do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) informou aos correligionários que não pretende reassumir neste momento a presidência nacional da legenda. Candidato presidencial do partido em 2014, Aécio se afastou do comando da legenda um dia após o GLOBO revelar que ele havia sido delatado por Joesley Batista e teria recebido R$ 2 milhões do empresário em espécie.

O reencontro do senador Aécio com os colegas, durante o almoço no Senado, foi cordial e teve manifestações de solidariedade, segundo o relato dos presentes. Mas teve momentos de tensão e mal estar. O presidente interino, Tasso Jeiressatti (CE), e o vice-presidente da Casa, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), fizeram uma dura cobrança sobre a necessidade de o partido reavaliar, com urgência, a relação com o governo Michel Temer. Aécio pediu mais tempo, alegando que estava há quase um mês e meio trancado em casa, e que precisava tomar pé da situação, conversar no governo e no partido.

Anunciou, entretanto, que não pretendia reassumir a presidência do partido, quando Tasso lhe perguntou o que pretendia fazer.

Depois de deixar Aécio a vontade para reassumir a presidência do partido, Tasso reafirmou sua posição a favor do rompimento “imediato” com o governo. E foi apoiado por Cássio Cunha Lima.

— Depois que aprovarmos a reforma trabalhista, eu e meu filho — o deputado Pedro Cunha Lima — não teremos mais nenhum compromisso com o governo, independente da posição do PSDB. Não podemos mais esperar — avisou Cássio Cunha Lima.

— Podemos sair imediatamente do governo e continuar apoiando as reformas — reforçou Tasso.

O líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), lembrou que há, na Câmara, uma tendência majoritária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pela aprovação da autorização para que o Supremo Tribunal Federal investigue Temer. E no plenário, pelo menos 18 tucanos já teriam convicção firmada a favor da denúncia.

— Me deem um tempo, estou tomando pé da situação — pediu Aécio.

O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), defensor da saída definitiva de Aécio da presidência do PSDB, estava no Senado, mas não participou do almoço da bancada. Segundo os presentes, Tasso também continua desconfortável com a interinidade, já que Aécio não quer reassumir, mas também não sinalizou quando vai deixar a presidência do partido.

— Nosso presidente é você. Você continua — disse Aécio.

Agora o partido, depois do recesso, definirá se antecipa uma convenção para outubro ou novembro. O almoço desta terça-feira foi o primeiro encontro político do senador desde sua chegada ao parlamento, no início da tarde. Segundo parlamentares presentes na reunião, Aécio disse que não tem objetivo de retomar o comando da legenda, mas não deixou claro se esse afastamento será definitivo.

Principais pré-candidatos presidenciais dos tucanos para 2018, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital paulista, João Doria, querem promover imediatamente uma renovação da direção da legenda, hoje dominada por nomes mais alinhados com o mineiro.

Em encontro com dirigentes do partido de manhã, em sua residência, Aécio Neves detalhou sua volta ao mandato depois de 46 dias fora do Senado. Na chegada ao Congresso para registrar presença, ele evitou conversar com jornalistas.

Aécio se reuniu também mais cedo com o presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV), José Aníbal, para discutir os termos de seu pronunciamento na tarde de hoje. O vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), chegou no início da tarde à residência de Aécio, para revisar com ele o discurso.

Aécio fará um discurso simples, sem ataques ao Ministério Público, com humildade e procurando se defender das acusações, admitindo erros na conversa com Joesley. Um dos pontos da defesa será reforçar que a conversa dele e da irmã Andrea Neves, era para tentar vender um imóvel para arrumar dinheiro para pagar advogados

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