Por Ronaldo Tiradentes
Bianca Abinader é aquela médica que ficou famosa por dois motivos: faltar ao trabalho reiteradamente e agredir o chefe Amazonino Mendes, na internet, chamando-o, entre outras coisas, de traficante de cocaína.
Se fosse numa empresa privada, Bianca Abinader pegava o beco rapidinho, por justa causa. E se o chefe quisesse defender sua honra, ainda processava a agressora, cível e penalmente.
Infelizmente, Bianca trabalha na Prefeitura de Manaus. Tem emprego público e, nesses casos, o povo – o verdadeiro patrão e principal vítima da desídia, não tem poder de punir. Só tem o direito de reclamar e esperar por justiça.
Bianca foi visitada várias vezes pela CBN em seu local de trabalho, um posto médico na periferia de Manaus. Ela não estava lá, mas tinha um monte de gente doente esperando por ela. Crianças e velhinhos.
Na última visita, ao invés de escalar um repórter, fui pessoalmente. Fazia uma semana que ela não aparecia. Quem me confirmou foi a própria chefe dela. A prova da gazetagem foi parar no Youtube.
Bianca sofreu uma representação formal, com provas suficientes para demiti-la a bem do serviço público: várias cópias de reportagens comprovando as faltas, vídeos, recortes de jornal e CD com o perfil dela no twitter (@bia_abinader), com as datas e horários das postagens atacando Deus e o mundo. Tudo na hora do trabalho. Na mesma hora em que ela deveria estar cuidando de pessoas doentes.
Mas quem não sabe fiscalizar, também não sabe punir. A Comissão de Sindicância fez vistas grossas para as inúmeras faltas comprovadas. Nem deu bola para a tuitagem em horário de trabalho, aliás, no horário em que ela deveria estar na casinha da saúde”, mas não estava.
Depois de 5 meses de investigação, Bianca sofreu uma suspensão de 90 dias, apenas porque “dirigiu-se desrespeitosamente aos seus superiores”. Ao saber da punição, a médica foi pessoalmente na sala de reuniões da comissão de sindicância. Armou um barraco, fez ameaças e foi embora.
O relatório da sindicância, embora longo, ficou frágil. Não destinou uma linha as faltas reiteradas ao trabalho e nem uma vírgula ao fato de Bianca passar 24 horas tuitando, enquanto deveria estar atendendo seus pacientes.
Suspensa, Bianca recorreu para a justiça a fim de anular a punição. E não é que a justiça concedeu liminar (medida provisória) para que ela volte ao trabalho? A mesma justiça, chamada de “a mais corrupta do Brasil” por Bianca, autorizou a volta dessa exemplar funcionaria pública.
De tudo isso concluo o seguinte: essa Bianca é muito competente, tenho que tirar o chapéu. E bote competente nisso. Incompetente é a Prefeitura de Manaus que não consegue fiscalizar a frequência de um médico que ganha perto de 12 mil reais mensais. Que faz e acontece e ainda fica debochando da gente. E bote incompetência nisso!
Situação como essa nos faz lembrar de Al Capone que pintou e bordou desafiando a justiça americana, lá pelos anos 30 do século passado. Mas teve um dia que a casa caiu para o mafioso.
É o velho ditado: “um dia é da caça, o outro é do caçador”.
PS: A esperança que nos resta é a rigorosa investigação que o Ministério Público vem fazendo sobre este caso. Enquanto isso não acontece, vou ficar por aqui ouvindo uma musiquinha que tem tudo a ver com os fatos descritos aqui.

