No centro da queda de braço entre o presidente Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes está não apenas o que cada um entende por ordem democrática ou liberdade econômica, liberdade de expressão e opinião, voto livre, secreto e auditado, mas também - e agora - a Zona Franca de Manaus. Moraes vem borrando os decretos de Bolsonaro nos itens relativos ao modelo instalado no Amazonas, o que de certa forma ativa o protagonismo da classe política, historicamente omissa, preguiçosa, medrosa, apática e que nos últimos 50 anos, sem ideias, sem projetos alternativos de desenvolvimento, mantém o modelo pendurado em ações judiciais, algumas favoráveis, outras nem tanto.
Provavelmente você vai ler a partir de agora centenas de matérias, artigos e ver videos de políticos tentando capitalizar a decisão do Ministro Alexandre de Moraes que torna nulos decretos do presidente Bolsonaro que afetam as chamadas vantagens comparativas da ZFM. Não acredite neles. Eles não salvaram a Zona Franca. O que houve foi uma dose de oxigênio para que as empresas respirassem. Mas até quando ?
Desde a sua criação até hoje, o modelo industrial de Manaus foi comido pelas beiradas pelos sucessivos governos: de Collor, passando por Itamar Franco, Fernando Henrique e os governos do PT.
E, ao contrário do que é divulgado, a cada medida judicial na tentativa de manter os incentivos que atraem empresas, mais os empresários se sentem inseguros, porque os investimentos deles continuam ameaçados.
Os erros começaram com a ideia de constitucionalizar a Zona Franca. E aqui eu vou levar muitas pedradas, porque foi a partir daí que a preguiça, a falta de ideias, o esnobismo, as promessas vãs de empregos, a vadiagem foram institucionalizadas.
Ninguém criou nada acreditando na perpetuação do modelo. E não faltaram emendas prorrogando a Zona Franca de Manaus. Olha no que deu. O Amazonas não tem outra saída. Depende sim da Zona Franca, mas essa é uma dependência cruel em certa medida. Cruel para os trabalhadores, que estão sempre ameaçados de perder seus empregos e cruel para os empresários, sempre com o pé atrás quando se trata de fazer investimentos.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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