Bastidores da Política - Vinte mortos por Covid no domingo em Manaus 'é quase nada'. Nada mesmo ?


Vinte mortos por Covid no domingo em Manaus 'é quase nada'. Nada mesmo ?

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

22/03/2021 20h16 — em Bastidores da Política

Cerca de 20 pessoas morreram vitimas da Covid no domingo em Manaus. Agora o Amazonas totaliza escandalosos 12 mil mortos.  São casos em que as famílias são privadas de velar os corpos. Resta jogar um punhado de terra sobre o caixão lacrado, num gesto de despedida. É um tipo de adeus  que se tornou comum nestes tempos de pandemia. Vozes que se calam, imagens que permanecem por algum tempo em nossa memória e logo se apagam. Parece que nos acostumamos com as perdas…

Vinte mortos não é quase nada na visão de um governo que já enterrou em um só dia mais de 100 pessoas  vitimadas pela pandemia. Para as famílias é uma tragédia. Há mais viúvas, mais crianças órfãs, mais falta de esperança.

Não fizemos o vírus, e ninguém sabe como ele surgiu. Mas fomos nós que apostamos em governantes sádicos e genocidas.

Fomos nós, cansados da velha política, mas que tinha resultados, que criamos os algozes que nos conduzem como ovelhas ao matadouro.

Fomos nós que criamos a necropolítica, quando a ideia era a nova politica, com mais liberdade, mais direitos, mais saúde.

Desse erro deriva esse mundo do comércio funerário e dos respiradores superfaturados, dos hospitais sem oxigênio e das mortes por asfixia.

E agora que o vírus se espalhou de forma assustadora,  suspeitamos de tudo - do amigo que nos visita e pode estar contaminado. Do filho que vai à escola e pode trazer o vírus para casa.

Ficou mais difícil sonhar, fazer planos, interagir com as pessoas...

Nunca tivemos tanto medo do outro como agora e também nunca nos preocupamos com o outro como agora. Viver também passou a depender do outro, de como ele se comporta… Precisamos mudar isso. O problema é que não sabemos como. Talvez pelo voto, mas  com grande  possibilidade  de errar outra vez...

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.