Em um ambiente politico e midiático fragmentado, com comportamentos que transcendem a grosseria e passam a impressão de uma flagrante incivilidade, o que menos importa é discutir o nível de liberdade tolerável. Se o pensamento crítico cede lugar à ofensas então estamos destruindo o que mais prezamos como jornalistas: a liberdade de opinião e informação.
Nós, da imprensa, sempre criticamos o poder excessivo e opressor do Estado, os erros judiciais - que são muitos e fomentam as injustiças. Mas não podemos dar margem à acusação de que conspurcamos a verdade e com isso estimulamos o discurso de ódio.
Em agindo dessa forma e sendo admoestados, qual seria o nosso comportamento senão admitir que ficamos cegos e perdemos mais do que a noção de nossos deveres como formadores de opinião? Que perdemos o respeito pelo público que nos lê ou nos ouve?
Os fatos dos últimos dias, que culminaram com a entrega de uma intimação a um jornalista, remetem a uma análise profunda de nossa estatura moral. De todos nós - de jornalistas, que precisam entender qual o papel, o nosso papel, em uma sociedade em franca mudança, inclusive na forma de se comunicar com o público; dos políticos que banalizaram a expressão fake-news (alguns para se defender de ofensas, outros para esconder seus erros e desacreditar a imprensa); de um judiciário com suas fragilidades de interpretação da verdade objetiva e de uma sociedade nada crítica, mas incendiária, com grupos estimulando o ódio, a guerra e a intriga.
Em defesa do jornalista Ronaldo Tiradentes, podemos dizer com absoluta certeza que há fatos em relação ao senador que podem ser citados, pois públicos . E há fatos superados em razão de decisão do Supremo Tribunal Federal. Mas o judiciário misturou tudo pela simples razão de que a crítica objetiva e republicana foi contaminada por ofensas pessoais que não poderiam ser toleradas.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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