Liderando a bancada evangélica, o deputado Silas Câmara é visto pelo governo como a linha de comando para quebrar o gelo com o presidente Lula. A senha já foi dada por Silas, em entrevista à Folha de São Paulo: vai conversar, mas acrescentou que “diálogo não significa aliança”.
Para quem conhece o poder gravitacional do governo, os parlamentares evangélicos, que já trocaram princípios por privilégios, serão logo atraídos em troca de benesses.
Para as cucuias a rejeição de propostas progressistas, como flexibilização do aborto ou direitos LGBTQIA, dos quais Lula não abre mão.
A bancada evangélica simula um “racha” diante desse discurso de diálogo, mas o oportunismo está nas entrelinhas.
O que Silas sinaliza é que os evangélicos não sabem ser oposição, que no momento estão no deserto, com sede de mel que somente o poder pode prover.
O fascínio pelo governante de plantão, seja quem for, independentemente de ideologia ou crença religiosa, é grande, irresistível.
Não é Lula o cara do momento. O fascínio está no bolo recheado que não será negado a uma bancada de mais de 200 parlamentares que sabe como conduzir seu rebanho à terra prometida. Lula só tem a comemorar.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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