A sexta-feira iniciou com o céu nublado, escondendo o sol ainda pela manhã. Manaus, já castigada por um dos mais intensos invernos dos últimos tempos, parecia encolhida em meio a um trânsito caótico. Até a temperatura caiu para 24 graus. Não é normal, mas a natureza está mudando e cobrando seu preço.
Aqui e ali um buraco se abre. É um igarapé soterrado (para dar lugar a uma avenida) que explode. Como um corpo enterrado ainda com vida, ele se revela e grita. O que fizemos com essa cidade, outrora bela e acolhedora ?
A água que se espalha sobre as ruas são acolhidas por igarapés que subsistiram como esgotos a céu aberto, serpenteando a cidade, levando lixo, inundando casas, destruindo sonhos.
Na ânsia de chegar ao grande rio, que também vem sendo poluído, a água da chuva destrói ruas e mina barrancos que seguram barracos.
Ainda não houve uma grande tragédia em Manaus - das proporções da ocorrida em Petrópolis, Rio de Janeiro, com dezenas de mortos - em razão das chuvas. Mas ha sinais claros de que não estamos imunes a desastres desse tipo.
O problema é que ninguém se prepara, ninguém pensa...até que o pior aconteça.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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