
O Senado Federal se curvou a Bolsonaro e oficializou a instalação da CPI da Pandemia, que não só atenderá aos interesses do presidente, mas se prestará ao papel de desviar o foco que sempre esteve no Planalto, no negacionismo de Bolsonaro. Pior, colocará os governadores e prefeitos - ou a maioria deles - na condição de investigados.
Bolsonaro mandou a roda girar e o senador Girão (Eduardo Girão), do Podemos do Ceará. Fez o trabalho, alterando a proposta original da CPI, que era a de investigar o papel do governo federal na crise sanitária pela qual o Brasil atravessa.
Agora, sob o pretexto de investigar os recursos federais repassados a Estados e Municípios para combater a Covid 19, governadores e prefeitos estarão na lupa dos senadores bolsonaristas, encarregados de blindar o presidente e o ex-ministro Pazuello.
Vai sobrar para o governador Wilson Lima, do Amazonas, que já estava na mira do senador Randolfe Rodrigues (Rede- AP), decidido a apurar o colapso de exigênio no Amazonas, as mortes por asfixia - que o ministro Pazuello joga a culpa para cima do governador, que não teria feito o alerta sobre a falta do produto em tempo hábil.
Wilson será um dos primeiros convocados após a instalação da CPI. Foi Randolfe que declarou recentemente que Lima será chamado. São palavras do senador: “Ou ele (Wilson Lima) confessa a sua responsabilidade pela falta de oxigênio em Manaus ou admite que a culpa é do ex-ministro Pazuello”.
O risco de toda a culpa pela tragédia de Manaus cair no colo do governador do Amazonas é grande.
Bolsonaro colocou sua tropa para atuar de forma intensa. A ordem é encontrar culpados pela carnificina de Manaus e do resto do País.
O Senado parece disposto a assumir esse papel, de reescrever uma história da qual, seja qual for o esforço que os senadores bolsonaristas façam, será impossível retirar o protagonismo do presidente dessa tragédia humanitária.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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