Coluna do Holanda

Sabor de fel

Coluna do Holanda
Por Holanda
21/10/2011 13h24 — em Coluna do Holanda

O desembargador Domingos Chalub mudou rápido de convencimento sobre a tarifa de ônibus em Manaus. Tudo por causa de duas notas.  Uma delas apresentada pelas empresas  como documento dos investimentos realizados na modernização da frota e que justificariam  o reajuste.  A outra, teve caráter político e revelou a força do  Poder  Executivo.  No domingo, o prefeito Amazonino Mendes usou dinheiro público para ocupar espaço pago nos jornais locais desancando  o Judiciário,  que chamou de "apressado" e pouco responsável nas suas decisões.  Quem imaginou que o Negão, como é carinhosamente conhecido Amazonino, estava jogando conversa fora,  se enganou. A nota - mais do que a exibida no recurso da prefeitura contra a  liminar de primeiro grau,  que mandou suspender o reajuste da passagem de ônibus, teve um peso   vital na decisão tomada ontem pelo desembargador. A tarifa volta  a ser o que a prefeitura quer. E não se discute, como diz  Chalub.

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A decisão, que deve ser respeitada, tem o sabor de fel, por revelar duas coisas: a primeira delas,  que Amazonino Mendes tem razão quando diz que   juizes são  apressados e infelizes nas suas decisões. A segunda  é mais cruel, porque revela um poder de estado, fundamental à democracia e à aplicação da justiça, literalmente de joelhos.

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Este foi, em duas semanas, o segundo recuo do tribunal. O primeiro deles ocorreu no caso Amazonprev, que todos lembram...

Dilma só não gostava de Alfredo

A presidente Dilma Rousseff, que está na África, age agora  de forma  diferente  ao ver mais um de seus ministros acusados de corrupção.  Quando a revista Veja divulgou denúncias  contra o então ministro dos Transportes,  senador Alfredo Nascimento (PR), a presidente  chamou Alfredo para uma reunião "fechada"e sugeriu  que ele pedisse demissão. Já o ministro do Esporte, Orlando Silva,  recebeu um carinho da presidente: em resposta à imprensa,que queria saber o destino do ministro,  ela disse que não se pode fazer “apedrejamento moral de ninguém”.


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Dilma prometeu mandar apurar os fatos. “Se comprovada a culpa das pessoas, puni-las. Agora isso não significa demonizar quem quer que seja, muito menos partidos que lutaram no Brasil pela democracia”. Viu, Alfredo Nascimento? A presidente gosta muito do PCdoB e muito pouco do PR.

 

Convite e aval

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) convidou todo mundo para assistir o programa político semestral de seu partido, que durou cerca de 10 minutos. O minuto e meio final ficou a cargo do ainda ministro do Esporte, Orlando Silva, que, sem o ter dotes de cantor como seu homônimo, negou de dedos cruzados qualquer falcatrua em seu ministério. Disse mais, que vai até as últimas consequências em busca da verdade. Só não explicou a verdade de Convite e aval.

 

Vanessa dá apoio

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) convidou todo mundo para assistir o programa político semestral de seu partido, que durou cerca de 10 minutos. O minuto e meio final ficou a cargo do ainda ministro do Esporte, Orlando Silva, que, sem o ter dotes de cantor como seu homônimo, negou de dedos cruzados qualquer falcatrua em seu ministério. Disse mais, que vai até as últimas consequências em busca da verdade. Só não explicou qual  verdade  .

 

Apuração contra Nicolaus

O juiz Mário Augusto Marques da Costa, relator do caso da suposta compra de votos com o uso eleitoreiro do Instituto Pró-Saúde a favor de  Luís Fenando Sarmento Nicolau e Luís Ricardo Saldanha Nicolau, decidiu mandar apurar a captação ilícita de recursos de campanha, autorizou a produção de provas e marcou sessão para ouvir testemunhas no próximo dia 26  no Tribumal Regional Eleitoral. Os Nicolaus que se cuidem.

Indireta parlamentar

O deputado Josué Neto (PSD) além de comemorar, via redes sociais, o aniversário de 98 anos da Associação Folclórica Boi Bumbá Caprichoso, também mandou um recado para um colega de parlamento, sem declinar o nome. Neto escreveu   que "existem homens públicos que esquecem o passado, criticam os colegas de trabalho [parlamento?] como se nunca tivessem estado lado a lado". Dardo devidamente disparado,  se acerta o alvo é outra coisa.

Lisboa vai ser julgado pelo TRE

O juiz eleitoral da 1ª Zona Eleitoral,  Julião Lemos Sobral Júnior, se considerou incompetente para processar e julgar o deputado Wilson Lisboa e o presidente regional do PCdoB, Antonio Levino da Silva Neto, por infidelidade partidária. A    representação foi proposta pelo Ministério Público Eleitoral,  que pleiteia a perda de mandato de Lisboa. O processo agora sobe para o Tribunal Regional Eleitoral.

Estilistas no trânsito

Em desabafo, depois de experimentar um engarrafamento de trânsito, o deputado José Ricardo (PT) se saiu com essa: “Tiraram os azulzinhos e colocaram os marronzinhos, mas o trânsito continua o mesmo.” Diz ele que a cidade não tem prefeito, que o trânsito está abnadonado além de criticar o Detran por falta de fiscalização. Já tem gente dizendo que em vez de contratarem engenheiros de trânsito deram vez para estilistas de tráfego. Pesada essa.

 

 Meu nome é trabalho

Pelo visto, os deputados estaduais amazonenses querem tirar mais um pedaço do recesso parlamentar e, de quebra, agradar o eleitorado. Na quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou projeto do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Belarmino Lins (PMDB), para eliminar os 15 dias das férias de julho. Belão não quer deixar pedra sobre pedra: ele é o autor da Proposta de Emenda Constitucional que reduziu de 90 para 45 dias o período de recesso. Antigamente, os deputados tinham folga no mês de julho e em janeiro e fevereiro. Atualmente, são 15 dias em julho e 30 em janeiro. Dessa vez Belão assinou a proposta junto com Chico Preto (PSD) e Sinésio Campos (PT). Ou seja, tem deputado achando que trabalha pouco.

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Louvável que os deputados queiram se igualar aos demais trabalhadores, mas apenas diminuir o recesso não basta. Muitos deles se queixam, por exemplo, da grande quantidade de sessões especiais e de homenagens em pleno horário de discussão e votação de projetos ou requerimentos.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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