O Supremo Tribunal Federal quer uma explicação do governo de São Paulo sobre o projeto que rebatiza como Deputado Erasmo Dias um viaduto na Rodovia Manilo Gobbi. A decisão é da Ministra Carmem Lúcia, em resposta a uma ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo PT, PSOl e PDT. Erasmo é acusado de violação de direitos humanos durante o governo militar.
Embora tudo no Brasil desague no Supremo, não deixa de ser um excesso o incômodo com o nome dado a um viaduto, ainda que a sociedade se divida em torno do histórico do homenageado. É coisa miúda demais.
Erasmo, que foi secretário de segurança de São Paulo, encarna a verdade do que chamam revolução - combateu terroristas , alguns dos quais hoje no governo - ou a mentira de uma ditadura que sufocou, torturou e matou cidadãos que lutavam pela liberdade?
Mas a história tem duas verdades e a que prevalece é a que a vence a batalha da opinião pública.
Se os dois últimos presidentes militares - Ernesto Geisel não tivesse promovido uma abertura e seu sucessor João Figueiredo não seguisse a cartilha de abrir mais o governo; se como consequência, o movimento das eleições diretas não tivesse acontecido, certamente não prevaleceria a versão da esquerda e Erasmo Dias seria um herói.
O Supremo pode até decidir que Erasmo Dias não merece a homenagem, mas seria intrometer-se em assunto menor de um ente federativo. Um excesso que, mesmo cabendo à Suprema Corte meter o bedelho, seus ministros não podem cair na armadilha daqueles que semeiam o mesmo ódio e violência dos quais um dia afirmam terem sido vítimas. Por quase nada. O nome de um viaduto…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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