Bastidores da Política - Oposição encolhe e governo do Amazonas trava CPI da Covid


Oposição encolhe e governo do Amazonas trava CPI da Covid

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

05/04/2021 19h40 — em Bastidores da Política

A proposta de instalação da 'CPI da Pandemia' continua rodando no sistema da Assembleia Legislativa do Amazonas. Há duas solitárias assinaturas - a dos deputados Wilker Barreto e Dermilson Chagas. Para o documento ganhar força terá que ser assinado por mais seis parlamentares. Vai ser difícil chegar a esse número. Muita coisa mudou depois do verão passado. A oposição - que cravou uma adaga no coração do governo durante a CPI da Saúde, judicializando atos de corrupção explícita -  adoeceu ou foi aliciada.

O documento precisa de mais seis assinaturas. Tem duas. O governo Wilson Lima, embora desastrado, tem o poder de cooptar pessoas e instituições como nenhum outro na história do Amazonas. Sobrevive pela competência de grupos de interesse, que cobram pela blindagem que oferecem, comendo o Estado pelas beiradas.  No final, vai sobrar dívidas, pobreza, mortes, miséria e os justiceiros - de várias instituições de controle - que hoje se calam. Um silêncio cúmplice, que a história não vai deixar cair no esquecimento.

O heroísmo e o voluntarismo de amanhã serão abafados pela hipocrisia de hoje, pelas omissões de hoje, pela cumplicidade de hoje. 

No requerimento apresentado à Assembleia Legislativa, com pedido  de CPI,  há fato determinante, relevante para a vida pública. Merece prosperar, por respeito dos deputados aos seus eleitores e às famílias daqueles que morreram por falta de assistência médica e até oxigênio nos hospitais de Manaus.

O que os deputados que apresentaram a proposta querem é o que toda a população do Estado do Amazonas quer e exige: que sejam apuradas responsabilidades, esclarecidas as suspeitas de improbidade, malversação de recursos públicos, superfaturamento, omissão e negligência administrativa quanto a abertura de novos leitos durante a segunda fase da pandemia; a falta de transparência nas  medidas de enfrentamento e gastos com insumos hospitalares.

Os defensores do governo podem dizer que o máximo foi feito e que o caso deve ser enterrado. É um mau argumento, especialmente porque fere a dignidade dos que  morreram por falta de assistência, dos que foram submetidos ao horror da  asfixia.

É preciso, antes de mais nada, apurar, esclarecer e cabe aos deputados essa tarefa, ou não são dignos do mandato que lhes foi conferido pela população do Estado do Amazonas.

Onde estão aqueles aguerridos parlamentares, defensores da causa pública,  que assinaram,  sem receios,  a CPI da Saúde e prestaram um grande serviço à sociedade?  Estão dormindo. Têm medo do vírus e talvez receio de um governo que, se não perceberam, está entubado.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.