Os cerca de 700 mil proprietários de veículos que circulam em Manaus são obrigados a pagar o licenciamento anual ou ficam impedidos de rodar com seus carros, mas as 10 empresas de transporte coletivo da cidade são ‘livres’ para movimentar 1.460 ônibus totalmente irregulares. Pior, acumulam uma dívida de mais de R$ 6 milhões com o Detran, que ‘fecha os olhos’ para o problema. E não é por falta de recursos que as empresas deixaram de pagar o licenciamento. O Sinetram tem faturamento anual de R$ 800 milhões. Só nos últimos três anos obteve R$ 131,7 milhões em subsídios do poder público. As empresas não pagam porque não são cobradas, não são fiscalizadas, não têm compromisso com a cidade nem com os usuários.
MAIS UM ROUND VENCIDO POR MELO
O apoio dado pelo governador José Melo à chapa que disputou e venceu a eleição para a presidência da Associação Amazonense de Municípios deve ser contabilizado entre os rounds da disputa política de 2018. O ex-prefeito de Itamarati, João Campelo, apoiado por Melo, saiu vencedor. Jair Souto, que era apoiado pelo senador Eduardo Braga, não obteve os votos que havia sido prometido a ele. Na contabilidade das bases no interior, o senador vem perdendo aliados e poder de fogo. A nota destoante no processo fica por conta do ‘desinteresse’ com que prefeitos e ex-prefeitos tratam a AAM, que já foi a maior força política do interior. Apenas 36 associados estavam aptos a votar, quando pelo menos 124 deveriam manter-se adimplentes.
COISA VAI MAL...
Na entrega do Balanço Geral do Estado, feita ontem ao presidente da Assembleia Legislativa, David Almeida, o secretário da Sefaz, Jorge Jatahy, disse que espera que 2017 seja um ano de ‘recuperação’, mas ainda não é possível prever uma ‘melhora’ nas finanças. A Sefaz foi o terceiro órgão público a fazer a entrega das contas anuais ao Legislativo, depois do TCE e do MPE, que fizeram o ‘dever de casa’ na quinta-feira. Uma comissão especial será formada na casa para recepcionar e analisar as prestações de contas, liberando-as para a tramitação.
ANOS DE CHUMBO
Se viva fosse, a Revolução Militar de 64 teria completado ontem 53 anos. Como findou-se em 1984, fez ressuscitar a velha República das Raposas, que já dura 33 anos. No auge do regime a data era comemorada com feriado e paradas militares; rifada do poder caiu em desgraça e esquecimento. Mas hoje os escândalos da Lava Jato começam a trazer de volta ventos de ‘saudades’ dos que gostam de medidas e punições severas para os ladrões de casaca.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso