As encostas desabam, avenidas, ruas e becos alagam. Cada chuva em Manaus é uma tragédia anunciada. Lamenta-se cada morte, cada perda de bens conquistados a muito custo, mas a culpa em parte por todos esses problemas é da população, do hábito de jogar nas ruas copos, garrafas, lixo, animais mortos. E de um crescente comércio imoral de terras em áreas de risco, invadidas por quadrilhas que as vendem em seguida para os mais pobres, estimulam a construção de barracos que um dia vão cair e provocar tragédias.
Ninguém cobra dos chefes das quadrilhas quando um barraco cai. A cobrança é em cima do poder público e essa é uma forma de dominação do crime organizado e sua politica de tornar o Estado refém.
Áreas nobres - como o Porto do Ceasa, com vista panorâmica do Rio Negro, está sendo invadida e barracos construídos em torno do barranco. Vão cair e os moradores apontar o dedo para o poder público - que tem sua culpa sim, pois não age preventivamente, impedindo esse tipo de ocupação irregular do solo urbano.
Micro-Ônibus preso em rua alagada durante forte chuva em Manaus pic.twitter.com/3saoHbewpT
— Portal do Holanda (@portaldoholanda) January 17, 2022
O mesmo acontece na Colônia Antônio Aleixo, na parte mais nobre onde o encontro das aguas dos rios Amazonas e Negro pode ser visto, agora completamente invadida.
Há um silencio cúmplice das autoridades. Há grupos especializados em invasão que lucram em cima dos mais pobres. Há um desrespeito a vida, a cidade, a cidadania. E ninguém parece disposto a colocar um fim nesse cenário de sofrimento e morte. Lamentável
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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