A história de Vanessa Araújo Carvalho e Jane Simplício, assassinadas dentro de uma loja na Compensa, em Manaus, vai além de um caso policial. Eram mães, trabalhadoras, mulheres que inventam um modo de vida e encaram os desafios de criar os filhos, compartilhando com eles o pão minguado e seco que chega à mesa. Mas, como todos nós, não estavam imunes ao ódio que às vezes é produzido a partir dos laços que fazemos, das amizades que construímos, dos erros que cometemos mesmo quando a busca pelo acerto é incessante.
Provavelmente, os homens que as executaram à luz do dia sejam pistoleiros, que sequer se preocuparam em esconder o rosto. Os mandantes não quiseram sujar as mãos…
As cenas do crime são chocantes, mas a repercussão do caso ficou nas páginas policiais e morrerá, pelo esquecimento, nas próximas horas. Como se a violência só fosse levada em conta pela sociedade quando a vítima tem alguma visibilidade.
Não é o caso de Jane e Vanessa, que a partir de agora serão números nas estatísticas de homicídio de uma cidade sitiada pela violência e pelo medo.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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