Uma cidade é um ente coletivo. Ela fala pelos seus habitantes ou silencia com eles. Ela grita desesperadamente quando golpeada pela peste, ou morre tentado respirar. Quando sobrevive em meio a feridas que não cicatrizam nunca, espera o momento para apontar seus algozes. Manaus é uma dessas cidades marcadas pela tragédia, que em certa medida parecia inevitável, mas poderia ter sido minimizada. E não foi.
O tempo da tragédia passou, mas não o luto, não a dor, não a lembrança de um desespero coletivo assustador, aterrorizante, inimaginável.
O tempo de falar chegou. E não esperem ouvir vozes, mas gestos, mãos ainda trêmulas em teclados balizadores da democracia - o momento da escolha de quem governará o Estado pelos próximos quatro anos.
Não pensem que o eleitor não tem a sabedoria de admitir que fez escolhas equivocada e que de certa forma contribuiu para o desastre sanitário do qual muitos amazonenses foram vítimas. Mas ao menos ele, o eleitor, sabe que pelo voto pode mudar tudo isso, apostar num novo tempo, em alguém com sensibilidade e capacidade de fechar essa ferida, e inaugurar um novo ciclo, apesar das marcas que não se apagarão .
Essa história tem que ser contada por gerações. A lembrança dos dias de dor, desespero e morte ficará para sempre, como exemplo a não ser seguido jamais.
Falo mais de Manaus porque a cidade foi palco da maior tragédia vivida no último século. Vocês lembram... e aqui reside a maioria dos eleitores do Estado do Amazonas.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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