Uma linda mulher, dois homens e um conflito que não cessava. Sensação de abandono e perda. No meio, uma criança, Isabelly, seis anos, que se abrigava com confiança nos braços da mãe que “tinha surtos” e o desejo de matar.
Aconchegada ao lado da mulher, que para ela era um refúgio seguro, foi apertada, sufocada. Como uma coisa, um objeto que podia ser descartado, Isabelly perdeu os sentidos, o ar desapareceu e a vida esgotou-se ao ser levada para o hospital. Isso aconteceu no apartamento ao lado…
A necropsia revelou que Isabelly já vinha sendo maltratada, coisificada ao longo de seus poucos anos de vida. Além da asfixia, que a matou, exames revelaram que ela fora estuprada. Pelo padrasto? Pelo Pai? Por algum amigo da família? A mãe sabia e consentia?
São questões que a Polícia de Manaus tenta responder, enquanto uma parte da população expressa um “Ah, Meu Deus, quanta maldade!”, tão hipócrita que soa mal.
Todo criminoso tem surtos ou alega tê-los. Sem controlar paixões, ciúmes, desejos, inveja e ódio é impossível não estar vulnerável á prática do mal.
A mãe de Isabelly, Claudiana Freitas, é uma pessoa igual a outra qualquer. Igual a você e eu. Ou você acha que o mal não está presente em nossas vidas e que a luta para vencê-lo tem que ser diária, permanente?
Longe de mim defender essa criminosa, mas o caso, se escandaliza de um lado, de outro deveria servir como um alerta para avaliarmos nossas fraquezas, nossos desejos, nossas paixões e impor limites a eles.
Viver em sociedade implica esse dever. Do contrário seremos cruéis, pervertidos, obsessivos, dominados pelas paixões, pela intolerância e pelo ódio.
Tudo o que nos escandaliza agora, poderá escandalizar outros depois. Não podemos, como Claudiana Freitas, nos tornar vítimas de nós mesmos, ou sacrificar os que devemos amar mais que tudo: nossos filhos.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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