Início Coluna do Holanda Frase de impacto lá fora, internamente o isolamento
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Frase de impacto lá fora, internamente o isolamento

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Por Holanda
23/04/2026 21h11 — em Coluna do Holanda
  • O ponto central não está nas frases do presidente Lula, mas no método.
  • Quando o símbolo passa a ocupar o espaço da ação, constrói-se um país que comunica mais do que entrega.
  • Ao recorrer à jabuticaba como meio de fustigar Trump, Lula utiliza uma metáfora reveladora. Porque, para além da imagem, há um método.

A referência à jabuticaba — oferecida por Lula ao ex-presidente Donald Trump — revela mais do que um gesto isolado. Indica um padrão.

Aos poucos, o debate público vai sendo ocupado por imagens, metáforas e sinais, enquanto os problemas concretos permanecem à margem.

Quando o símbolo passa a ocupar o espaço da ação, constrói-se um país que comunica mais do que entrega. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao que tudo indica, encaixa-se nesse movimento. A metáfora é leve, acessível — mas também reveladora.

No caso amazônico, isso se torna ainda mais sensível: o símbolo circula com facilidade; a solução, não. E nem mesmo no plano literal a metáfora se sustenta — a jabuticaba, distante está de ser calmante. O efeito, portanto, é retórico, não transformador.

A retórica segue no mesmo caminho da almejada queda, por Lula, da invisibilidade. Enquanto se reivindica visibilidade lá fora, a Amazônia segue convivendo com uma invisibilidade persistente dentro do próprio país.

A região que sustenta boa parte do discurso ambiental brasileiro no mundo ainda enfrenta isolamento logístico, obras travadas, planejamento intermitente e ausência de um projeto estruturante que concilie desenvolvimento e redução de desigualdades.

O contraste é evidente: o Brasil se apresenta como potência, mas não se organiza como tal em seu próprio território.

A invisibilidade que se pretende que Lula tenta superar no exterior não pode conviver com a invisibilidade interna de regiões inteiras. Porque, no fim, não é a falta de discurso que limita o Brasil — é a ausência de decisões estruturais que transformem potencial em realidade.

No caso amazônico, isso se torna ainda mais sensível: o símbolo circula com facilidade; a solução, não. E nem mesmo no plano literal a metáfora se sustenta — a jabuticaba, distante está de ser calmante. O efeito, portanto, é retórico, não transformador.

A retórica segue no mesmo caminho da almejada queda, por Lula, da invisibilidade.

Enquanto Lula reivindica visibilidade lá fora, a Amazônia segue convivendo com uma invisibilidade persistente dentro do próprio país.

A região que sustenta boa parte do discurso ambiental brasileiro no mundo ainda enfrenta isolamento logístico, obras travadas, planejamento intermitente e ausência de um projeto estruturante que concilie desenvolvimento e redução de desigualdades.

O contraste é evidente: o Brasil se apresenta como potência, mas não se organiza como tal em seu próprio território.

O ponto central não está nas frases, mas no método. Quando o símbolo passa a ocupar o espaço da ação, constrói-se um país que comunica mais do que entrega.

A invisibilidade que se pretende superar no exterior não pode conviver com a invisibilidade interna de regiões inteiras. Porque, no fim, não é a falta de discurso que limita o Brasil — é a ausência de decisões estruturais que transformem potencial em realidade.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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