O que muda a partir do movimento que tomou conta do Brasil e pode se estender por tempo indeterminado? No curto prazo um redesenho do quadro eleitoral pintado precocemente e que começou a ser borrado. Os favoritos de ontem estão seriamente comprometidos. As próximas pesquisas vão dizer a que ponto esse movimento está influindo na opinião que as pessoas tinham dos politicos. Dilma pode acordar com recorde de impopularidade.
Aqui, no Amazonas, dificilmente os que lideravam as pesquisas manterão o favoritismo, ao menos no nivel no qual apareciam até há duas semanas. Sobra para todo mundo.
Esse movimento de massas é o primeiro da história do Brasil que não teve a participação dos partidos politicos ou de politicos, isoladamente, o que indica que o Brasil entende que eles não são necessários ao processo de mudança que parece estar em curso. 
Por mais que esse movimento seja salutar - o Brasil - acordou de um pesadelo - há um risco à democracia, na medida em que o governo se sente acuado. Se persistirem os ataques a palácios em Brasilia será inevitável chamar a Guarda Nacional, depois o Exército, a Marinha, a Aeronáutica. Onde isso vai acabar?
O Brasil que queremos construir não pode mais passar por esse tipo de experiência.
O movimento Passe Livre deve ser mais claro, definir o que pretende reivindicar e como consegui-lo sem que as instituições sejam ameaçadas.
Afinal o País que grita nas ruas também caminha em terreno perigosamente minado. Desse grito pode sair um Brasil novo e mais justo. Mas também podemos estar abrindo a porteira para o caos. A sociedade deve refletir seriamente sobre esse risco. ( Raimundo Holanda )
PCdoB TERIA PLANEJADO ATAQUE À PREFEITURA DE MANAUS
Denúncias de que o PCdoB trouxe de municípios da região metropolitana militantes para invadir a Prefeitura de Manaus, depredar ônibus e tentar desvirtuar o movimento Passe Livre, precisa ser apurado pelas autoridades. Na liderança desse grupelho o secretário de Produçao Rural, Eron Bezerra e seu braço direito, que tem o sugestivo nome de Yan. São esses grupos radicais que ameaçam a democracia pela qual a grande maioria dos brasileiros luta neste momento delicado para o País.
PASSE LIVRE
Nada mais justo do que os governos municipais, estaduais e federal se unirem para assegurar o passe estudantil grátis para todos os estudantes brasileiros. É um direito garantido pela Constituição de 88, a Carta Cidadã, como foi promulgada pelo velho Ulisses. Tá lá, no artigo 6º, quando diz: São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Só que os governantes esqueceram em parte que estudante não pode ir à escola sem transporte. O MEC garante o transporte escolar só nas zonas rurais, mas esquece os alunos das zonas urbanas.
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Portanto, tá na hora de aproveitarem o clamor dos jovens nas ruas, esse mesmo clamor que em 92 os caras-pintadas levaram às ruas para exigir o cumprimento da Carta Cidadã com a deposição do primeiro presidente eleito, Fernando Collor, por tê-la manchado com a corrupção do seu governo, para colocar em ordem essa velha dívida pública. Em vez de bolsa-prisão, passe estudantil grátis. Já que a educação é a melhor forma de acabar com a proliferação de presídios. O Brasil precisa se modernizar.
BAIXINHO, MAS ESQUENTADO
O deputado Sinésio Campos criou fama de esquentado em plenário. Mas ontem ele literalmente virou um doce. Numa rápida discussão a respeito de tempo partidário na tribuna, saiu-se com esta, depois de informar que fez cirurgia e não tem mais vesícula: Se alguém pensa que eu tenho alguma coisa amarga no meu ser, eu não tenho, eu sou só doçura. Ganhou risadas gerais.
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Já o oposicionista Luiz Castro, que juntamente com o vereador Mário Frota e a ong IACi entraram na justiça contra a demolição do Vivaldão, ficou triste em não poder participar da manifestação popular em Manaus. Embora tenha direito como cidadão, não quero criar constrangimento, disse desolado, ante a rejeição dos manifestantes aos políticos. Acertou em cheio: manifestantes do PCdoB foram expulsos pelos manifestantes.
A BANDA DA POLÍCIA
Os policiais militares do Amazonas acharam um meio pacífico de participar da manifestação de ontem em Manaus. A banda da PM juntou-se à multidão e animou a passeata tocando hinos e marchinhas. Mas não esqueceram o protesto. Parentes exibiram cartazes, entre eles um que sugeria trocar, só por um mês, o salário do policial militar pelo de um deputado.
A PACIÊNCIA ACABOU
Logo após a visita do novo diretor regional da Vivo, Ernesto Martins ao prédio da Assembleia Legislativa, o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Marcos Rotta foi à tribuna e criticou o serviço precário da telefonia no Amazonas. Acabou sugerindo uma CPI, no que foi apoiado por Luiz Castro, Marcelo Ramos e Chico Preto, que pediu para assinar embaixo. Minha paciência também se exauriu, disse.
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Detalhe: Chico acabara de acertar com Martins um termo de parceria entre a Assembleia e a Vivo para uma campanha antiviolência contra a mulher.
Desfaçatez petista
“Liberdade de manifestação é um legado do PT, nós acordamos lá no final dos anos setenta, na rua a luta continua.” O texto é um post do presidente do PT no Amazonas, João Pedro Gonçalvez, que assim tenta se apropriar do movimento de reivindicação nacional que está nas ruas. Esquece que o PT só existe a pártir de 10/02/1980.
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Aliás, o PT tem estrelas que às vezes acertam as coisas, como o fato do ex-presidente Lula ter dito, quando deputado federal, que ali existiam 300 picaretas, incluído o próprio.
Personificação do MPL
O deputado Sinésio Campos (PT), abriu fogo contra o representante do Movimento Passe Livre (MPL) que ontem foi à Aleam falar sobre o MPL na voz de Jean Carlos Ferreira. Para sinésio, se o MPL é apartidário como pode se dar essa personificação. Alô produção: dá pra explicar ao petista?
Direitos sem deveres?
O porta-voz do MPL em Manaus, Jean Carlos Ferreira, disse ontem, na Aleam, que “Acreditamos que agora o povo resolveu ir às ruas, que é possível sim mudar o contexto da história, que é possível fazer com que os nossos direitos, que são garantidos na Constituição, sejam representados”. Pra variar, ninguém fala nos deveres neste país.
Opinião radical
Como os organizadores do protesto, em Manaus, ‘desconvidaram’ políticos de comparecer à manifestação, o deputado Vicente Lopes (PMDB) , assegurou que sua filha universitária iria às ruas, afirmou que a presença de políticos profissionais na manifestação seria tão prejudicial quanto a dos vândalos.
Surfando na onda
Como excelente petista que é, o deputado Francisco Praciano não perdedu a oportunidade de faturar o movimento popular que está nas ruas do Brasil. Diz ele que fez um pronunciamento em Brasília, ontem, em defesa da manidestação popular. Alguém pediu? O povo está dispensado os intermediários.
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A boa notícia é que, afirma Praciano, ele teria lido, no plenário, a poesia do poeta amazonense Dori Carvalho “As Tetas do Povo”. Só assim a poesia amazonense chegaria ao Planalto.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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