Bastidores da Política - Dois momentos, duas ditaduras, e um País à deriva


Dois momentos, duas ditaduras, e um País à deriva

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

28/08/2021 18h39 — em Bastidores da Política

Impedir a liberdade de pensamento ou limitá-la é a negação do debate e do pensamento crítico. Não há democracia que resista à censura, parta de onde partir.

É difícil  entender a análise política que reforça a tese de que as instituições brasileiras funcionam, e que a democracia não está ameaçada. Não apenas não funcionam (como deveriam)  como estão contribuindo para o desmanche do sistema democrático.

Na prática, o país experimenta duas vertentes de ditadura. Uma, que  ameaça usar a força para desmonte dos poderes constituídos. A outra, sob pretexto de defender a democracia das ameaças cotidianas do presidente,  restabelece a censura e manda prender os que se insurgem  contra  práticas que considera  fora do guarda-chuva constitucional.

O pretexto para a interpretação draconiana da lei é a defesa do estado de direito, supostamente ameaçado. Mas o direito  é uma estrada sinalizada pela liberdade de pensamento - um dos fundamentos de uma democracia. Impedir essa liberdade ou limitá-la é, também, a negação do debate e do pensamento crítico.

Não há democracia que resista à censura, parta de onde partir.

O que estão fazendo com o Brasil é danoso para todos. A crise, que era politica e envolvia dois poderes, agora contamina a economia, o que pode acender um estopim perigoso lá na frente.

Há um rastilho de pólvora a caminho das multidões. Que lado o povo - aquele que as pesquisas de opinião não conseguem  ouvir, recluso em becos e vielas desse Brasil - vai tomar?

É possível que continue desmobilizado, mas se tomar o partido daquele que só vê três saídas para este momento: ser preso, morrer ou sair vitorioso, mas que descarta a primeira hipótese, então  chegamos bem próximo do abismo. Basta um louco dar um empurrão para o Brasil recuar 50 anos na história…

Então não serão poucos a lamentar a falta e bom senso daqueles que poderiam ter renunciado   a interesses políticos imediatos para se colocar ao lado de um Pais que é de muitos, de todos os brasileiros  e que precisava preservar suas instituições.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.