Impedir a liberdade de pensamento ou limitá-la é a negação do debate e do pensamento crítico. Não há democracia que resista à censura, parta de onde partir.
É difícil entender a análise política que reforça a tese de que as instituições brasileiras funcionam, e que a democracia não está ameaçada. Não apenas não funcionam (como deveriam) como estão contribuindo para o desmanche do sistema democrático.
Na prática, o país experimenta duas vertentes de ditadura. Uma, que ameaça usar a força para desmonte dos poderes constituídos. A outra, sob pretexto de defender a democracia das ameaças cotidianas do presidente, restabelece a censura e manda prender os que se insurgem contra práticas que considera fora do guarda-chuva constitucional.
O pretexto para a interpretação draconiana da lei é a defesa do estado de direito, supostamente ameaçado. Mas o direito é uma estrada sinalizada pela liberdade de pensamento - um dos fundamentos de uma democracia. Impedir essa liberdade ou limitá-la é, também, a negação do debate e do pensamento crítico.
Não há democracia que resista à censura, parta de onde partir.
O que estão fazendo com o Brasil é danoso para todos. A crise, que era politica e envolvia dois poderes, agora contamina a economia, o que pode acender um estopim perigoso lá na frente.
Há um rastilho de pólvora a caminho das multidões. Que lado o povo - aquele que as pesquisas de opinião não conseguem ouvir, recluso em becos e vielas desse Brasil - vai tomar?
É possível que continue desmobilizado, mas se tomar o partido daquele que só vê três saídas para este momento: ser preso, morrer ou sair vitorioso, mas que descarta a primeira hipótese, então chegamos bem próximo do abismo. Basta um louco dar um empurrão para o Brasil recuar 50 anos na história…
Então não serão poucos a lamentar a falta e bom senso daqueles que poderiam ter renunciado a interesses políticos imediatos para se colocar ao lado de um Pais que é de muitos, de todos os brasileiros e que precisava preservar suas instituições.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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