A semana começa com um desafio à capacidade do prefeito Arthur Neto de fazer composições, de abrir mão da vaidade pessoal e assumir uma postura de estadista.
A cidade, desfigurada, sem a maquiagem que a chuva está desfazendo, com problemas no transporte coletivo e invasões proliferando, não é nenhuma herança deixada para Arthur. É passivo de seu próprio governo.
Cabe ao prefeito trabalhar para encontrar saídas, construir parcerias, restabelecer a confiança de empresários dispostos a fazer investimentos, especialmente no setor de transporte público.
E reconstruir a ponte que o ligava ao governo do Estado, rompida na última eleição.
Ou Arthur separa o politico ( afoito que sempre foi ) do prefeito da cidade, ou Manaus ficará ingovernável.
As polêmicas, as frases de efeito, as bravatas têm que ceder lugar ao diálogo, a construção de um novo tempo, de novas perspectivas para uma cidade que agoniza a cada chuva, a cada greve de ônibus, a cada desmoronamento de barrancos.
Arthur é inteligente. Saberá seguir o melhor conselho, que passa ao largo de qualquer confronto. Pelo bem de Manaus. (RH)
DISSE-ME-DISSE NA FRONTEIRA NORTE
Amanhã, dia 31, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, se encontra em Manaus com comandantes das Forças Armadas da Colômbia para fechar acordos para ações de inteligência e de combate ao tráfico de armas e drogas na fronteira dos dois países na Amazônia. Fala-se em usar monitoramento e logística ‘inteligente’ para acompanhar a tecnologia usada pelos traficantes. Mas o desafio é muito maior que a ‘retórica política’. O monitoramento por satélite necessitará de força de ação tática rápida em terra, na linha de fronteira propriamente dita. Só que no chão, a história é outra.
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Com o Amazonas, a Colômbia possui 644 km de fronteira, toda sua extensão contaminada pelo narcotráfico. Como somente 4% das fronteiras são monitoradas, significa que apenas 26km estão sob ‘vigilância’ eletrônica. Ao lado, estão Venezuela e Peru comando mais 2.100km.
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Em 2013, antes de assumir o Comando do CMA, o general Guilherme Theophilo de Oliveira visitou unidades de fronteira do Exército e voltou indignado: "Eu não admito hoje, no século 21, que um pelotão sobreviva da caça e da pesca, como os índios viviam”.
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Sem recursos, os soldados pouco podem fazer contra traficantes que dispõem de bilhões de dólares em recursos para manter suas atividades. Ou seja: o ministro tem de trazer mais que palavras bonitas e papéis na pasta para colocar nas mãos dos militares.
FORÇA PARA RENAN
A semana pode começar com Renan Calheiros assumindo a liderança do PMDB no Senado, tirando de cena os colegas Raimundo Lira e Marta Suplicy, que já trabalham pela vaga. Renan precisa ficar forte para os próximos eventos da Lava Jato.
OS FAVORITOS
Brasília também vive a expectativa de quem assumirá a vaga do ministro Teori Zavascki no STF, onde os ‘favoritos’ tem posições comuns com o presidente Michel Temer. Ives Gandra, João Otávio Noronha, Isabel Gallotti, Luiz Felipe Salomão e até o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes estão no páreo.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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