A votação do projeto que concede título de cidadão do Amazonas ao apresentador Sikêra Jr foi marcada por divergências. Oito deputados se manifestaram contra. Sikêra foi chamado de “machista”, “sexista” e acusado de ter chamado a população do Estado de “bosta, “lixo”, “raça de desgraçados”, “raça de cão” e de ter levantado em seu programa a possibilidade de ter um filho “veado” “e não poder matar”. Mesmo assim, 12 deputados aprovaram a concessão do título, sem uma contraposição aos fatos negativos apresentados, passando por cima da Resolução Legislativa No 71, de 10 de dezembro de1977, que estabelece regras para a concessão: que o agraciado “tenha prestado relevantes serviços ao Estado do Amazonas, possua caráter escorreito e conduta ilibada”, critérios nos quais Sikêra não se encaixa.
Mas Sikêra é o que é, produto de um mundo cão que cresceu nos últimos 4 anos, alimentado por uma extrema direita que pregou ostensivamente o ódio e dividiu a sociedade brasileira, com consequências que impactam até hoje a vida do País.
Mas não é tão péssimo quanto parece, nem tão ruim quanto dizem. Nem cabe a ele a culpa por comenda que não pediu.
Cabe aos deputados, que perderam a noção do papel que desempenham na sociedade, como representantes do eleitor. Cabia aos parlamentares ao menos respeitarem a Legislação que criaram e que estabelece regras claras para a concessão do título.
Se falta noção a Sikêra - quando cancela CPFs a cada morte que divulga, exaltando a violência policial, falta aos parlamentares noção de cidadania e a importância da Casa que representam.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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