O que chama a atenção no caso do suposto pedido de propina envolvendo a compra das vacinas Covaxin e AstraZeneca é o fato dos principais personagens dessa história (que cheira mal) vestirem farda. São atuais ou ex-membros de forças militares colocados no Ministério da Saúde pelo Governo Bolsonaro. Uns, como o cabo Luiz Paulo Dominghetti Pereira, que deu um depoimento polêmico à CPI do Senado nesta quinta-feira, apenas faziam lobby. Outros, não se sabe até onde estão metidos. Cabe à CPI apurar. Não que os militares sejam mais ou menos afeitos a negócios não republicanos do que os civis. Mas a farda não confere a ninguém o status de incorruptível.
Há bons e maus militares, assim como há civis longe da ladroagem a que se referiu o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Gabinete de Segurança Institucional), que no ano passado, quando a ideia de namorar Arthur Lira estava distante, como distante era a chance do deputado de Alagoas chegar à presidência da Câmara e sentar sobre um orçamento bilionário: "Se chamar Centrão, não sobra um meu irmão". Claro, Heleno utilizou de eufemismo para não ser processado por calúnia e difamação.
Mas a questão aqui é outra. A pandemia enriqueceu donos de funerárias, permitiu que governadores comprassem respiradores a preços superfaturados e embolsassem dinheiro público, que empresários vendessem insumos pagos mas os entregaram em pequena quantidade. E ainda permitiu olhares pervertidos sobre o lucro bilionário que alguns teriam em cima da compra de vacinas, que demoraram a chegar ao País. E a causa pode, sim, ter sido o fato de acordos espúrios não terem sido fechados.
O caso revela ainda o ninho de vampiros movidos pela ganância, pelo amor ao dinheiro, pelo desprezo à vida e o custo que elas representavam para as famílias e o País.
Nem mesmo a CPI escapa de algumas armadilhas montadas por políticos que tentam justificar o injustificável, que estão ali para defender criminosos.
Certamente que o G7, grupo dos sete senadores de oposição - uns sim, outro fazendo jogo de cena - saberá vencer e superar dificuldades internas.
O País está acompanhando. De olhos bem abertos.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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