Logo no início da COP 30, ficou claro que a ministra Marina Silva não podia criticar a decisão do governo de autorizar perfurações de petróleo na Margem Equatorial, embora sempre tenha se posicionado contra a expansão de combustíveis fósseis. Esse silêncio não é natural, mas imposto pela estratégia política do governo Lula.
A incoerência aumenta quando se lembra que o governo aprovou uma política que prevê o uso de termelétricas por mais 30 anos, garantindo a continuidade dos combustíveis fósseis no país.
Enquanto isso, o discurso oficial na COP30 fala em “rota de saída” do petróleo e em compromisso climático. Na prática, o país aposta simultaneamente em descarbonização e em novas fontes fósseis, criando uma dupla narrativa difícil de sustentar perante a comunidade internacional.
A diferença de tratamento entre a BR-319 e o petróleo evidencia o limite político imposto à ministra.
A fragilidade do discurso ambiental da ministra se tornou ainda mais nítida quando a Colômbia, na COP30, anunciou que toda a sua Amazônia seria declarada zona livre de petróleo e mineração — exatamente o tipo de medida que Marina sempre defendeu, mas que hoje está politicamente impedida de sustentar pelo próprio governo que representa.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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