Eduardo Braga entra de forma efetiva na campanha, ao assumir que é candidato ao governo do Amazonas, mas há arestas a aparar. É evidente que sua entrada na disputa acende o sinal amarelo para alguns grupos de interesse. Sua eventual eleição significaria o fim do monopólio de super-contratos com o Estado em diversas áreas, o que explica os sucessivos ataques a sua vida pessoal ou de suas empresas.
O apoio do ex-presidente Lula ao senador Eduardo Braga (PMDB), mexe radicalmente com o tabuleiro eleitoral no Amazonas. Não apenas porque Eduardo entra de fato na disputa pelo governo do Estado, agregando toda a esquerda, mas também porque altera um cenário no qual apareciam apenas dois atores com chances de chegar ao segundo turno: o governador Wilson Lima, candidato a reeleição, e o ex-governador Amazonino Mendes.
A entrada de Eduardo na disputa proporciona, de um lado, uma opção a mais para os eleitores que anseiam por mudança, mas também retira do armário, com muita munição, grupos de interesse dispostos a minar sua candidatura. As armas, como sempre, são informações distorcidas, que repetidas mil vezes, para lembrar o chefe da propaganda de Adolfo Hitler, Paulo Joseph Glebbeis, “se transformam em verdade”.
Não contribuem para o debate que se espera dos candidatos, mas encontram ressonância em um público nada desprezível, que acredita no que ouve, sem fazer juízo de valor ou buscar em outras fontes a versão oficial dos fatos.
Nesse aspecto, Eduardo Braga peca por não reagir adequadamente, enquanto as informações negativas fluem velozmente e assumem ares de verdade.
Inibir essa propaganda negativa - que na prática contempla também interesses de adversários políticos, é um desafio a ser enfrentado.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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